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Dados sobre o trabalho dividem empresas entre dois extremos

Dados sobre o trabalho dividem empresas entre dois extremos

Giovanna Gregori Pinto discute, em “O Trabalho Visível”, como dados de comportamento digital, usados com governança, podem proteger pessoas e qualificar decisões de liderança.

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Decisões sobre desempenho, promoção e desligamento ainda são tomadas, em muitas organizações, com base em impressões, proximidade e percepção de presença. A constatação abre o livro "O Trabalho Visível: como dados de comportamento digital podem proteger pessoas, qualificar a gestão e transformar organizações quando usados do jeito certo", de Giovanna Gregori Pinto, que atua com People Intelligence (uso de dados para compreender como o trabalho acontece nas empresas). A obra será lançada na sede da Rede Líderes.

O livro propõe um caminho entre dois extremos que dominam o debate sobre o monitoramento digital do trabalho: a adesão sem critério, em nome da eficiência, e a rejeição automática a qualquer forma de dado sobre a rotina profissional. Para a autora, o problema nunca foi a ferramenta, mas a ausência de governança, de finalidade definida e de comunicação clara com as equipes. "Produtividade sem visibilidade vira mito. Visibilidade sem governança vira abuso", resume Giovanna Gregori Pinto.

Um receio com mais de um século

A obra recorre à história para explicar a resistência atual. Em 1882, o engenheiro Frederick Winslow Taylor começou a cronometrar operários na Midvale Steel Company, na Filadélfia, com o objetivo de medir cada gesto e extrair o máximo de produtividade. Desde então, segundo a autora, a observação do trabalho ficou associada a controle, punição e perda de dignidade, o que ajuda a entender por que a palavra monitoramento ainda provoca reações tão fortes.

Giovanna Gregori Pinto trata esse receio como legítimo. "Não é ignorância. Não é exagero. Não é resistência irracional à tecnologia. É memória", escreve na abertura do primeiro capítulo.

Na sequência, o livro identifica sete erros recorrentes em implementações corporativas. Entre eles estão começar pela desconfiança, confundir atividade com produtividade, implantar sistemas sem aviso prévio e acionar as áreas jurídica e de pessoas apenas depois da compra da tecnologia.

O trabalho que não aparece

Um dos eixos da obra é o chamado trabalho invisível: esforços, sobrecargas e contribuições que não chegam ao conhecimento das lideranças. A autora descreve o viés da presença, pelo qual quem está mais próximo de quem decide tende a ser mais lembrado nas avaliações, e argumenta que dados bem governados podem corrigir parte dessa distorção sem substituir o julgamento humano.

O livro apresenta casos concretos. O principal deles envolve uma multinacional em que a área de pessoas, em conjunto com tecnologia, jurídico e compliance, usou dados de comportamento digital para reduzir a subjetividade das avaliações, redistribuir a carga de trabalho, identificar baixa performance que passava despercebida e antecipar sinais de sobrecarga antes do colapso. Outro caso descreve um quadro de burnout que, visto de fora, parecia alta performance.

Olhares de diferentes áreas

Para sustentar a análise, a autora reuniu profissionais de campos complementares: psicologia organizacional e saúde mental, direito do trabalho, proteção de dados, tecnologia, comportamento humano e liderança em grandes companhias. O resultado é uma leitura que articula aspectos jurídicos, emocionais, técnicos e culturais do tema. O prefácio é assinado por Hernan Colima, com mais de duas décadas de atuação em transformação digital e integração de sistemas na América Latina e na Europa.

Na parte dedicada à aplicação prática, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é tratada não como obstáculo, mas como arquitetura para o uso responsável das informações. A obra propõe quatro princípios de governança, define grupos de acesso aos dados e dedica capítulos à capacitação das lideranças e à comunicação com as equipes, etapas que, segundo a autora, costumam ser negligenciadas.

O livro traz ainda um framework de maturidade em quatro estágios, chamados de cego, consciente, estruturado e inteligente, para que cada organização identifique onde está e o que precisa fazer a seguir. Um caderno de implementação complementa o conteúdo com checklists de prontidão jurídica e de liderança, roteiro em sete etapas, kit de comunicação interna e perguntas frequentes para colaboradores.

Nos capítulos finais, a autora discute os efeitos da inteligência artificial sobre o trabalho medido e defende que o próprio profissional tenha acesso aos dados produzidos sobre sua rotina, com a autoleitura tratada como competência. "O trabalho já está ficando mais visível. Ainda dá tempo de decidir se isso servirá para ampliar justiça", conclui.

Formada em Psicologia pela PUC-Campinas, com MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, Giovanna Gregori Pinto é especialista em People Intelligence e fundadora da People Leap. No iFood, tornou-se sócia e chegou a head de People para a área de tecnologia, onde conduziu a expansão do time em uma das fases de maior crescimento da companhia. Na AB InBev (Ambev), como diretora global de People & Management, liderou a estratégia de pessoas para equipes de tecnologia no Brasil, no México e nos Estados Unidos. Hoje se dedica a ensinar profissionais de RH a usar inteligência artificial de forma consciente, integrada e escalável.

Segundo a autora, a decisão de escrever o livro nasceu de um descompasso. De um lado, acompanhou de perto como ferramentas de leitura do trabalho, usadas com critério, ajudam empresas a reduzir a subjetividade, corrigir processos mal desenhados e proteger pessoas em risco de sobrecarga. De outro, observou que o tema costuma chegar ao debate público a partir de demissões, conflitos e denúncias, quando a confiança já foi rompida.

Com a obra, Giovanna busca repor o contexto que falta a essa discussão. "Como enxergar melhor o trabalho sem perder justiça, saúde, confiança e humanidade no processo?", questiona.

A obra é publicada pela A7Z, certificadora e editora especializada no posicionamento da alta liderança, que transforma trajetórias de carreira em publicações de referência. A A7Z integra a Rede Líderes, ecossistema que reúne quem decide em finanças, tecnologia, pessoas, risco e receita para, juntos, descobrir as soluções e tecnologias de mercado capazes de responder aos desafios de suas empresas.

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