Kodak, Blockbuster e Nokia ocuparam posições de liderança em seus mercados e, ainda assim, perderam relevância. Os três casos ilustram um fenômeno que alcança organizações de diferentes portes: a perda gradual de espaço quando a empresa deixa de se ajustar às condições do ambiente em que atua.
Esse processo é o tema de "Adapte-se ou Desapareça: como líderes, empresas e tecnologias sobrevivem à seleção do mercado", livro de Olsen Rodrigo, profissional com 18 anos de atuação em tecnologia aplicada à saúde, publicado pela A7Z. A obra recorre à seleção natural descrita por Charles Darwin para mostrar como empresas, carreiras e relações se enfraquecem sem sinais evidentes até que a queda pareça repentina.
O que a seleção natural explica sobre o mercado
Um dos pontos de partida do livro é a revisão de um conceito difundido no meio corporativo. A expressão "sobrevivência do mais apto" foi criada pelo filósofo Herbert Spencer, em 1864, e só depois incorporada por Darwin. No sentido original, apto não designa o mais forte, mas aquele que está mais ajustado às condições do presente. Aplicada aos negócios, a distinção desloca o foco do tamanho e da força acumulada para a capacidade de leitura do ambiente.
Segundo o autor, o equívoco mais frequente entre lideranças é interpretar a ausência de sinais claros como confirmação de que a estratégia está correta. Receita previsível e operação estável tendem a ser lidas como evidência de acerto, enquanto as mudanças avançam fora do campo de visão de quem decide. "Não está tudo bem. Está tudo quieto. São coisas diferentes", escreve Olsen. Na avaliação dele, o intervalo entre o primeiro sinal de transformação e o seu reflexo nos resultados é o período em que se define quais organizações continuam relevantes.
Três respostas diante da mudança
O livro descreve três formas de reação a uma alteração no ambiente. A primeira é agir somente quando forçado, o que o autor classifica como sobrevivência. A segunda é antecipar o movimento e escolher o ritmo e as condições da transição, comportamento que ele associa à liderança. A terceira é não reagir, alternativa que dá nome à obra.
Nesse contexto, a inteligência artificial é tratada como uma mudança de ambiente, e não como mais uma ferramenta à disposição das equipes. O autor defende o uso da tecnologia para ampliar o potencial humano, sem substituí-lo, e chama atenção para a ordem das prioridades: segundo ele, a inteligência artificial aplicada a processos desorganizados apenas acelera a desordem existente.
As conexões formam outro eixo da análise. Para explicar a coevolução, o capítulo "Ninguém evolui sozinho" recorre à orquídea de Madagascar, cujo néctar só é alcançado por uma mariposa de tromba longa, exemplo de duas espécies que se moldam mutuamente. Na leitura de Olsen, uma relação profissional decisiva é definida pela complementaridade, e não pela proximidade ou pela frequência de contato, já que tem mais valor quem revela um ponto cego do que quem confirma o que já se sabe. A recomendação é construir essa rede antes da necessidade, pois a adaptação costuma envolver várias disciplinas ao mesmo tempo, como tecnologia, liderança, relações e a forma como a informação chega a quem decide.
Estrutura da obra e trajetória do autor
Organizado em dez capítulos, o livro apresenta cada aspecto da teoria de Darwin em linguagem acessível e o aplica a três arenas: a vida pessoal, a carreira e as empresas. Além de casos conhecidos, o texto inclui situações observadas pelo autor no setor de saúde, em organizações nas quais os alertas subiam devagar e chegavam diluídos à liderança. A trajetória do próprio Olsen também serve de material de análise, como a decisão de deixar o cargo mais alto da carreira em um momento de bons resultados e o risco de manter a competência restrita a um ambiente conhecido.
"Adaptar não é deixar de ser quem você é. É mudar a forma para continuar cumprindo a função", escreve o autor. Ele relaciona a ideia à própria formação: aprovado em medicina, não pôde arcar com a mensalidade e cursou Informática Biomédica, área na qual o interesse em cuidar de pessoas passou a ser exercido por meio de sistemas.
Natural de Cianorte (PR), Olsen Rodrigo formou-se em Informática Biomédica pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, em 2008. Atuou por 12 anos na Matrix Saúde, onde liderou a área de projetos, e foi diretor de produto e diretor de tecnologia (CTO) da AmorSaúde, onde coordenou uma equipe de 70 pessoas e a construção do AMEI, sistema de gestão de clínicas que atende cerca de 25 milhões de pessoas. Em dezembro de 2025, fundou a Sintetiza AI, consultoria de inteligência artificial aplicada a negócios. Tem MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV) voltado à saúde, especialização pelo Insper e certificação Project Management Professional (PMP).
A obra é lançada pela A7Z, certificadora e editora voltada ao posicionamento da alta liderança, que integra a Rede Líderes, ecossistema que reúne lideranças das áreas de finanças, tecnologia, pessoas, risco e receita.








