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A queda do idoso não começa no chão, indica levantamento

A queda do idoso não começa no chão, indica levantamento

A queda raramente é o primeiro sinal. Tontura, um remédio novo e o passo mais curto costumam vir semanas antes do tombo, mas passam despercebidos por quem convive com o idoso apenas nos fins de semana. Em São Paulo, levantamento mostra que 3 em cada 4 famílias só procuram um cuidador depois que o idoso já caiu. No Brasil, mais de 9 mil pessoas idosas morreram por queda em 2025, segundo o Ministério da Saúde.

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Em 2025, mais de 9 mil pessoas idosas morreram por queda no Brasil, uma média de 24 por dia, segundo o Ministério da Saúde. Outras 48,5 mil foram internadas pelo SUS no mesmo período. Ainda de acordo com a pasta, 1 em cada 4 brasileiros com mais de 65 anos cai ao menos uma vez por ano; depois dos 80, essa proporção chega a 40%.

Um levantamento paulistano detalha o momento em que as famílias reagem a esse risco. Nos registros de atendimento da Serena Nobre, empresa de cuidadores de idosos de São Paulo (SP), cerca de 3 em cada 4 famílias relatam, no primeiro contato, ao menos uma queda do idoso no ano anterior ao início do acompanhamento profissional. O padrão que aparece nos registros: a busca por ajuda vem depois do susto, raramente antes. Em uma cidade onde distritos como Moema e Vila Mariana já têm um quarto dos moradores com mais de 60 anos, segundo o Censo 2022 do IBGE, esse atraso ganha escala.

O corpo avisa antes

Quando o acompanhamento diário já está em curso, as mudanças raramente passam despercebidas. Segundo a empresa, os sinais mais frequentes registrados nos relatos diários enviados às famílias são apatia, episódios de esquecimento e alterações na forma de caminhar. Esses sinais costumam ser percebidos antes de os parentes notarem, especialmente quando o idoso passa parte do dia sozinho.

A ciência aponta na mesma direção. Andar mais devagar, sinal que também antecede quedas, somado às queixas de memória, praticamente triplica o risco de demência em idosos acompanhados por anos (Einstein Aging Study, 2013). Já a comissão sobre demência da revista The Lancet estimou, em 2024, que 45% dos casos de demência no mundo, incluindo a doença de Alzheimer, estão associados a fatores de risco modificáveis, como o isolamento social.

Doenças de progressão lenta, como o Parkinson e as demências, ilustram como os sinais se acumulam sem testemunha. "A queda não começa no chão. Semanas antes, já tinha a tontura que ninguém viu, o remédio novo, o passo mais curto. Existe ainda uma segunda queda, a cognitiva, que vai acontecendo em silêncio: a memória que falha, o interesse que some. Em um caso de Parkinson ou de Alzheimer, a doença parece controlada até o dia do tombo. A família vê fotos do idoso, no fim de semana, na visita. Quem está lá todo dia vê o filme", afirma Luiz Gustavo Dávila, fundador da Serena Nobre.

O peso é maior nos quadros neurodegenerativos. Entre idosos que fraturam o quadril, a presença de demência está associada à menor sobrevida no ano seguinte (Revista Brasileira de Ortopedia). Nos registros da Serena Nobre, Alzheimer e Parkinson, especialmente quando acompanhados de agitação noturna, estão entre os principais motivos que levam as famílias a optar pelo acompanhamento 24 horas.

Cair sem ninguém por perto piora o desfecho. Entre pessoas com mais de 90 anos, 80% das que caem não conseguem se levantar sem ajuda, e 3 em cada 10 permanecem uma hora ou mais no chão (BMJ, 2008). Os pontos críticos da rotina doméstica, segundo Dávila, são o trajeto noturno até o banheiro e as transferências, como a passagem da cama para a cadeira. "Câmera e botão de emergência registram e avisam depois que a queda já aconteceu. O que muda o quadro é alguém perto, que conhece o passo do idoso e percebe o dia em que ele muda", comenta.

Como prevenir e agir após uma queda

Segundo as diretrizes internacionais World Falls Guidelines (2022), a prevenção de quedas em idosos se apoia em três frentes: revisão de medicamentos, adaptação do ambiente e manutenção da mobilidade. "Fatores como tapetes soltos, iluminação inadequada, calçados instáveis, alterações na marcha e efeitos adversos de medicamentos podem aumentar o risco de quedas. Por isso, o acompanhamento deve incluir a avaliação periódica da mobilidade, do equilíbrio, do ambiente e do uso de medicamentos. Após uma queda, o idoso não deve ser mobilizado imediatamente: é necessário avaliar sinais de trauma, especialmente craniano, dor, nível de consciência e mobilidade dos membros. Mesmo sem lesões aparentes, o episódio deve ser comunicado à equipe de saúde para investigação da causa e prevenção de novas quedas", afirma Ana Carolina David, enfermeira supervisora da Serena Nobre.

Em publicação de 2026, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia reforça que cair não é consequência inevitável do envelhecimento e que cada queda deve ser tratada como um evento que revela algo sobre a saúde da pessoa idosa.

Sobre a Serena Nobre

Empresa de cuidado domiciliar para idosos que atua na cidade de São Paulo (SP), com cuidadores autônomos com formação na área da saúde, plantões de 12 e 24 horas, supervisão de enfermagem e registro diário de sinais de risco. A empresa acompanha também idosos com Alzheimer, Parkinson e outras demências.

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