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3F conecta regulação, mercado e sustentabilidade

3F conecta regulação, mercado e sustentabilidade

Promovido pela Fenasbac com apoio do Banco Central, o encontro colocou em diálogo três frentes de discussão: o papel do regulador na transição para uma economia sustentável, os riscos e as oportunidades de financiar essa mudança e os desafios comuns a quem produz, financia e regula

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A quarta edição do 3F, Futuro, Finanças e Florestas, promovida pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) com apoio do Banco Central, reuniu reguladores, instituições financeiras, órgãos públicos, especialistas e agentes de inovação em torno de quatro dimensões da agenda de finanças sustentáveis: regulação, finanças, inovação e sustentabilidade. O encontro juntou atores que ocupam diferentes posições na cadeia de decisões, desde a elaboração de normas até a concessão de crédito e a execução de projetos, para examinar como essas dimensões se conectam diante das mudanças em curso no mercado.

A partir desse recorte, a programação se desdobrou em três eixos de debate. O primeiro tratou da atuação da autoridade reguladora na mudança rumo a uma economia sustentável, o segundo abordou os riscos e as oportunidades envolvidos em financiar esse movimento, e o terceiro discutiu os pontos de convergência entre setor produtivo, sistema financeiro e órgãos de supervisão. Cada bloco reuniu participantes com responsabilidades distintas diante de um mesmo processo de transformação.

Regulação e transparência no centro da agenda

O quadro regulatório em discussão inclui a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), sistema de classificação que orienta investidores e instituições financeiras na identificação de atividades econômicas alinhadas a objetivos ambientais e sociais. Instituída por decreto em novembro de 2025, a primeira edição do instrumento entrou em fase de implementação em abril de 2026, com editais de testagem voltados a bancos, gestoras de recursos e companhias listadas.

Outro documento presente nos painéis é o Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos, publicação anual do Banco Central que mapeia a exposição do sistema financeiro a eventos sociais, ambientais e climáticos. A autoridade monetária também revisou, em setembro de 2026, as regras do Relatório GRSAC, com métricas padronizadas voltadas à comparabilidade entre as instituições supervisionadas.

Na abertura, a diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Izabela Correa, associou vulnerabilidade econômica e vulnerabilidade ambiental, ao observar que as populações de menor renda tendem a ser as mais expostas a eventos climáticos extremos. A avaliação sustentou a defesa de instrumentos de proteção financeira, acesso responsável ao crédito e ampliação da poupança. O diretor Paulo Picchetti acrescentou que nenhum agente isolado, seja regulador, banco ou governo, enfrenta sozinho desafios dessa escala, argumento reforçado por Paulo Stein, presidente da Fenasbac, o qual enfatizou que o risco climático é intrinsecamente um risco financeiro.

Como financiar a transição sem perder competitividade

O painel dedicado ao financiamento da transição tratou de uma tensão concreta para o público financeiro: como sustentar a adaptação das cadeias produtivas, preservando rentabilidade, liquidez e gestão prudencial das carteiras. Entraram no debate o crédito rural, os mecanismos de transferência de risco e estruturas de capital capazes de atrair recursos privados e viabilizar respostas aos desafios climáticos.

Para Rodrigoh Henriques, diretor de Inovação e Estratégia na Fenasbac, o ponto de partida é reconhecer que o risco climático não se limita a um segmento da economia. "A urgência do nosso tempo não é isolada, ela é sistêmica e transversal. O ponto mais crítico para o setor financeiro nos próximos anos é compreender que um evento climático extremo não escolhe setor", afirma. Secas, enchentes e ondas de calor desorganizam cadeias produtivas, pressionam preços de alimentos e atingem as populações com menor capacidade de absorver choques, segundo o executivo.

O caminho apontado por ele passa por inteligência de dados e por novas estruturas de capital. "Quando o mercado adota métricas claras apoiadas pela Taxonomia Sustentável e por mecanismos como a bancabilidade de startups e o blended finance, o custo de conformidade diminui e o capital flui com mais precisão para soluções sustentáveis", explica.

Inovação e regulação para dar escala à transição

A relação entre inovação e regulação ocupou o bloco de encerramento. O eixo foi a construção conjunta de referências técnicas capazes de dar transparência, rastreabilidade e segurança jurídica a novas soluções, condição apontada pelos participantes para que tecnologias como inteligência artificial e registros distribuídos ganhem escala no financiamento de atividades sustentáveis.

Danielle Teixeira, líder de Inovação Aberta na Fenasbac, moderou o painel sobre bancabilidade e sustentabilidade, dedicado às formas de conectar capital a startups de impacto. A área que ela coordena conduz programas de aceleração com o mercado e com reguladores, entre os quais o Next Impact DF, citado no evento como exemplo de aplicação de tecnologia à mensuração de impacto e à rastreabilidade territorial.

Os debates deixam questões práticas para o setor: como traduzir taxonomia e relatórios padronizados em decisão de crédito, como precificar riscos ainda pouco mensuráveis e quais arranjos financeiros sustentam a transição sem comprometer a competitividade das empresas. Ao aproximar quem regula, quem financia e quem produz, o 3F busca contribuir para que essas questões continuem sendo discutidas e aprofundadas pelo mercado.

A Fenasbac afirma que dará continuidade à aceleração de startups de impacto e ao apoio ao ecossistema de inovação aberta do Banco Central, ampliando os espaços de conexão entre inovação, regulação e sistema financeiro.

Para saber mais sobre o 3F e acompanhar as próximas agendas, basta acessar: https://bit.ly/3F-di

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