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Fraude de identidade sobe 32,9% e expõe canais das empresas

Fraude de identidade sobe 32,9% e expõe canais das empresas

Serasa Experian contabilizou 2,86 milhões de tentativas no primeiro semestre de 2026. Teles Alexandre, CEO da Eyou, explica por que golpes que imitam o atendimento das marcas tornam necessário comprovar a identidade de cada canal de contato com o cliente

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As tentativas de fraude de identidade no Brasil cresceram 32,9% no primeiro semestre de 2026 na comparação com o mesmo intervalo de 2025, de acordo com o Mapa da Fraude da Serasa Experian. Entre janeiro e junho, o levantamento contabilizou 2,86 milhões de ocorrências em processos de cadastro e validação de identidade, o que corresponde a uma tentativa a cada 5,5 segundos. O avanço acende um alerta para empresas que se relacionam com clientes por canais digitais, já que parte crescente dos golpes passou a reproduzir a aparência de mensagens legítimas das marcas.

O setor financeiro concentrou 61,1% das tentativas, e os meios de pagamento responderam por 42,6% do total. Entre os segmentos, o varejo teve a maior alta, de 120,7%, seguido por telefonia, com 51,4%, e serviços, com 40,2%. A companhia estima que o bloqueio dessas investidas evitou prejuízo de R$ 3,77 bilhões no período. Em alerta divulgado em 2 de setembro, a Serasa Experian descreveu ainda o golpe do sósia, modalidade em que criminosos recorrem a motores de comparação facial para localizar pessoas com até 99% de similaridade e tentar enganar a biometria.

Para Teles Alexandre, CEO da Eyou, empresa que desenvolve soluções de comunicação corporativa por SMS, e-mail, voz, WhatsApp, push e chatbot, a escalada decorre de dois movimentos simultâneos. O primeiro é a transferência da rotina das pessoas para o ambiente digital. "Hoje a gente resolve quase tudo pelo celular, do banco à consulta médica, e cada nova jornada digital, cada cadastro, cada compra online, é uma porta a mais que pode ser explorada. Quanto mais interações, mais superfícies de ataques", afirma.

O segundo é a sofisticação dos criminosos, que passaram a contar com as mesmas ferramentas que facilitam a operação das empresas. "Antes, o golpe era artesanal e tinha erros óbvios. Atualmente, ele é industrializado e caprichado", resume. Na leitura do executivo, a combinação de mais portas de entrada com golpes mais bem-feitos explica o salto nos números. "Uma tentativa de fraude de identidade a cada poucos segundos no Brasil deixou de ser exceção e virou rotina. Para as empresas, isso significa que o problema saiu do campo do azar individual e virou um risco de operação que precisa ser gerenciado", acrescenta.

Quando o golpe imita o atendimento

Teles observa que os fraudadores se aperfeiçoaram depois que o público aprendeu a desconfiar de links tortos, textos mal escritos e remetentes esquisitos. "Hoje o golpe chega bem-vestido. Ele vem por um canal que a pessoa conhece, com uma identidade que parece profissional e uma conversa que flui de forma coerente. Ele não desperta suspeita, ele constrói confiança. E é justamente aí que mora o perigo, porque a vítima baixa a guarda exatamente por acreditar que está num ambiente seguro", diz. "Eu costumo resumir assim: o novo golpe não parece golpe, parece atendimento", completa.

O dano, de acordo com o CEO, atinge a companhia mesmo quando ela não cometeu falha alguma. "Se um golpista consegue se passar pela sua marca sem dificuldade, o cliente que cai no golpe associa aquela experiência ruim ao seu nome. Ele não pensa ‘fui vítima de um criminoso’, ele pensa ‘recebi isso em nome daquela empresa’", explica.

Com a repetição dos casos, o consumidor passa a ignorar também avisos, códigos e confirmações autênticos. "Ter identidade verificada nos canais deixou de ser um luxo técnico e passou a ser uma condição para manter a relação de confiança de pé." O Relatório de Fraude de 2024 da Serasa Experian já indicava que 42% dos brasileiros tinham sido vítimas desse tipo de crime e que 58% das empresas relataram aumento da preocupação com o tema entre 2022 e 2024.

Identidade verificada em todos os canais

Na avaliação de Teles, a pergunta que orienta a segurança da comunicação corporativa mudou. "Deixou de ser ‘Isso parece suspeito?’ e passou a ser ‘O meu cliente consegue provar que sou realmente eu falando com ele?’", sintetiza. Entre as medidas indicadas estão o WhatsApp operado pela interface de programação de aplicações (API) oficial, com o selo de verificação da conta, o remetente de SMS reconhecível e consistente e a operação homologada diretamente com as plataformas, "e não uma solução paralela que corta caminho".

O executivo ressalta que nenhuma tecnologia isolada resolve a questão. "O que protege de verdade é a soma de camadas: identidade verificada, autenticação forte, consistência entre os diferentes canais, monitoramento do que circula em nome da marca e governança sobre quem pode falar pela empresa", enumera.

A regra deve valer para todos os pontos de contato, do SMS ao WhatsApp, do e-mail à voz. "Costuma ser o canal esquecido, aquele que ninguém vigia, que vira a porta de entrada do problema", alerta.

Confiança como processo contínuo

Para Teles, o principal desafio é que "essa é uma corrida sem linha de chegada". "Os golpes vão continuar evoluindo, e as empresas vão precisar tratar a autenticidade da comunicação como um processo contínuo, não como um projeto que se conclui e se esquece", pondera. Outro ponto é equilibrar segurança e experiência, de modo que a verificação seja fluida, quase invisível para o cliente honesto e, ao mesmo tempo, eficaz contra o golpista.

O terceiro desafio, apontado pelo CEO como o mais relevante, é a transformação da confiança em diferencial competitivo. "Num cenário em que o consumidor desconfia de tudo, a empresa que conseguir se comunicar de forma reconhecidamente autêntica, aquela em que o cliente sabe que, quando a mensagem chega, é mesmo a marca falando, vai largar na frente. Confiança sempre foi importante. A diferença é que agora ela virou algo que se constrói também na camada técnica da comunicação, não só no discurso", conclui.

Com as tentativas de fraude de identidade em trajetória de alta e golpes cada vez mais semelhantes a contatos oficiais, a capacidade de comprovar a autoria de cada mensagem tende a ocupar posição central na relação entre empresas e consumidores. O debate se desloca do bloqueio de conteúdo suspeito para a prova de autenticidade em cada contato.

Para mais informações, basta acessar: https://www.eyou.com.br

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