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Apenas 25% das escolas particulares têm guia para uso de IA

Apenas 25% das escolas particulares têm guia para uso de IA

Pesquisa nacional aponta distância entre adoção da inteligência artificial e orientações para seu uso; escolha para o próximo ano pede atenção aos equipamentos, à formação docente e à acessibilidade

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Na temporada de matrículas e rematrículas para 2027, o uso da tecnologia acrescenta perguntas à escolha da escola. Durante as visitas, as famílias conhecem salas, laboratórios e equipamentos. Para compreender como essa estrutura participa do ensino, precisam também conhecer as atividades realizadas, a preparação dos professores e as formas de acompanhamento da aprendizagem.

A pesquisa TIC Educação 2025 mostra que 53% dos gestores de escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio utilizavam inteligência artificial generativa em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. Apenas 22%, porém, afirmaram que a instituição tinha um guia de orientações para o uso desses recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão. Na rede particular, o percentual era de 25%.

Divulgado em agosto de 2026, o levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ouviu gestores de 2.404 escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio. O uso de IA pelos estudantes em tarefas educacionais era permitido em 37% das instituições.

Os números não medem a qualidade do ensino de cada escola, mas oferecem um ponto de partida para a conversa com a coordenação. Antes de confirmar a matrícula, cabe perguntar quais orientações acompanham o uso das ferramentas, como os alunos participam das atividades e de que maneira os professores verificam o que foi aprendido.

Da estrutura apresentada à prática em sala

Pedir um exemplo de atividade realizada com a turma ajuda a compreender o papel dos equipamentos. Uma lousa digital pode apoiar a apresentação de materiais, a exploração de uma simulação ou uma tarefa coletiva. Conhecer o conteúdo e o objetivo da aula permite entender por que o recurso foi escolhido.

Para Esdras Santana, CEO da MOVPLAN, empresa de soluções educacionais com sede em Ribeirão Preto, essas informações tornam a avaliação mais concreta. "Vale pedir um exemplo de aula e perguntar como aquele recurso foi utilizado. A família entende melhor a proposta quando conhece o conteúdo trabalhado, a participação dos alunos e o preparo do professor para conduzir a atividade", afirma.

A conversa também pode abordar a frequência de utilização e a adequação dos recursos à faixa etária. Conhecer como a escola organiza atividades digitais, leitura, escrita e práticas coletivas ajuda a avaliar a integração da tecnologia ao planejamento, além da disponibilidade dos equipamentos apresentados durante a visita.

Formação e suporte sustentam o uso cotidiano

A preparação dos professores é outro aspecto a investigar. As famílias podem perguntar como os docentes aprendem a utilizar as ferramentas, que apoio recebem para planejar as aulas e quais oportunidades de atualização são oferecidas. Essas informações ajudam a compreender as condições de trabalho da equipe com os recursos disponíveis.

O funcionamento da estrutura depende também de conexão, manutenção e atendimento às dificuldades técnicas. "A escola precisa prever o que acontece depois da instalação. Quem dá suporte ao professor? Como a manutenção é feita? Há condições de utilizar o equipamento nas atividades planejadas? Essas decisões fazem parte do investimento", afirma Esdras.

A acessibilidade merece atenção na mesma conversa. Além da circulação pelos ambientes, cabe observar a visibilidade dos materiais, a disposição do mobiliário e as condições de iluminação e acústica. Para estudantes com necessidades específicas, é importante discutir as adaptações disponíveis, os profissionais responsáveis e a forma de acompanhamento do atendimento.

Inteligência artificial exige atenção ao processo de aprendizagem

Com ferramentas capazes de produzir textos, responder perguntas e elaborar apresentações, o resultado de uma tarefa pode revelar pouco sobre a participação do estudante. Para o professor Sheldon Assis, que atua no suporte pedagógico da MOVPLAN, esse cenário exige que a escola acompanhe como o aluno pesquisa, organiza as informações e constrói suas conclusões.

"Quando uma ferramenta consegue entregar uma resposta em segundos, precisamos observar como o aluno chegou àquela conclusão. Saber pesquisar, verificar fontes e explicar o próprio raciocínio faz parte do aprendizado. Cabe à escola ensinar o estudante a usar esses recursos com critério", afirma o professor.

As perguntas à coordenação podem incluir as orientações sobre autoria, checagem de informações e uso de IA nos trabalhos. Também cabe conhecer os critérios de avaliação e o atendimento oferecido quando surgem dificuldades. Assim, a conversa alcança as regras de utilização das ferramentas e o acompanhamento dos conteúdos.

Na rematrícula, os registros do próprio aluno ajudam a orientar essa análise: atividades realizadas, avanços observados e pontos que precisam de atenção no próximo ano. Para quem busca uma nova instituição, exemplos de aulas e explicações sobre o acompanhamento das turmas permitem relacionar a estrutura apresentada ao ensino oferecido diariamente.

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