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Chocolate amargo pode trazer benefícios à saúde

Projeto aprovado na Câmara reforça critérios mínimos de cacau e especialistas destacam impactos positivos do consumo equilibrado.

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O consumo de chocolate pode ir além do prazer e contribuir para a saúde quando feito com moderação e atenção à qualidade do produto. Um projeto aprovado pela Câmara dos Deputados estabelece critérios mínimos para a composição do chocolate no Brasil, determinando que o produto deve conter pelo menos 35% de sólidos totais de cacau. Já o chocolate ao leite deverá ter, no mínimo, 25% de cacau e 14% de sólidos totais de leite.

De acordo com especialistas, a medida ajuda a diferenciar produtos com maior valor nutricional daqueles classificados como ultraprocessados.

“Alimentos com ‘sabor chocolate’ tendem a apresentar altos teores de açúcar e gordura, além de baixo valor nutricional. Sem uma quantidade significativa de cacau, perdem-se compostos benéficos como os polifenóis. Muitos desses produtos ainda utilizam gordura vegetal hidrogenada e aromatizantes, o que reduz a qualidade nutricional”, explica a nutróloga Mônica Guedes, do Hospital de Clínicas Mário Lioni.

A recomendação é priorizar chocolates com maior teor de cacau, preferencialmente acima de 70%, que concentram substâncias associadas a benefícios à saúde. Segundo a nutricionista Camila Magalhães, das Linhas de Cuidado da Amil, o consumo moderado de chocolate amargo pode trazer impactos positivos, principalmente para o sistema cardiovascular.

“O consumo equilibrado de chocolate amargo está associado à redução da pressão arterial e à melhora do perfil lipídico, especialmente por conta dos flavonoides presentes no cacau. Além disso, o alimento também está relacionado à sensação de bem-estar”, afirma.

Apesar dos benefícios, a orientação é evitar excessos. A quantidade diária recomendada varia entre 20 e 30 gramas, o equivalente a dois quadrados de uma barra.

Para um consumo mais consciente, especialistas recomendam não ingerir chocolate em jejum ou como substituto de refeições. O ideal é consumi-lo como sobremesa, após refeições equilibradas, além de fracionar porções para evitar exageros.

Como escolher um chocolate de melhor qualidade

A leitura do rótulo é essencial para identificar produtos mais saudáveis. Pela legislação brasileira, os ingredientes devem ser listados em ordem decrescente de quantidade.

No caso do chocolate, o cacau ou a massa de cacau deve aparecer como primeiro item. Quando açúcar ou gordura vegetal ocupam essa posição, o produto tende a ter menor valor nutricional.

“A lista de ingredientes é a principal aliada do consumidor na escolha de chocolates com maior teor de cacau e menor quantidade de açúcares e gorduras”, reforça a nutricionista.

Benefícios para a saúde

O chocolate amargo, além de saboroso, tem benefícios já estudados pela ciência. Abaixo é possível conferir algumas vantagens do consumo equilibrado desse alimento:

Retarda o envelhecimento

Em um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista científica Aging, pesquisadores do King’s College London mediram os níveis de teobromina, um composto vegetal encontrado naturalmente no cacau, e os compararam com marcadores biológicos de envelhecimento no sangue.

Eles descobriram que pessoas com níveis mais elevados de teobromina tendiam a ter uma idade biológica menor do que a idade cronológica, em comparação com aquelas com níveis mais baixos. Isso significa que a idade cronológica corresponde ao número de anos vividos, enquanto a idade biológica indica como o corpo está envelhecendo fisicamente, com base em diferentes marcadores do organismo.

Protege o coração

O chocolate é rico em flavonóis, compostos naturais com ação antioxidante que ajudam a proteger o coração. Estudos mostram uma associação entre maior consumo desses compostos e menor incidência de doenças cardiovasculares, como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.

Os flavonóis do cacau também ajudam a reduzir a pressão arterial e contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos, melhorando a circulação, reduzindo inflamações e auxiliando na dilatação dos vasos.

Estimula e protege o cérebro

Estudos revelam que o cacau em pó e o chocolate contêm diversas substâncias benéficas, especialmente antioxidantes como os flavonoides, com destaque para a epicatequina. Esses compostos atuam no cérebro, estimulando áreas relacionadas à aprendizagem e à memória. A epicatequina, por exemplo, pode melhorar funções cognitivas, como atenção e raciocínio.

O chocolate também pode contribuir para o bem-estar emocional e costuma ser consumido em momentos de estresse. Além disso, esses compostos estão associados à preservação das funções cognitivas com o envelhecimento e à redução do risco de doenças como Alzheimer e AVC.

Alivia a TPM

Evidências recentes sugerem que o chocolate amargo, rico em flavonoides, polifenóis (compostos antioxidantes), magnésio e teobromina, pode ter efeitos anti-inflamatórios, analgésicos para o alívio da dor e neuroprotetores durante o período pré-menstrual.

O consumo pode ajudar a melhorar o desempenho físico e a função cognitiva, especialmente em fases hormonais mais sensíveis, devido às suas propriedades anti-inflamatórias e de regulação do sistema nervoso.

Alivia o fígado

Alguns estudos apontam o chocolate amargo como um possível aliado da saúde do fígado. Os achados indicam que ele pode ajudar na melhora da doença hepática gordurosa (acúmulo de gordura no fígado) e reduzir o aumento da pressão nos vasos do abdome, condição que pode ocorrer em pessoas com cirrose e levar a complicações.

Protege a pele

O chocolate amargo, com 70% de cacau ou mais, pode ajudar a proteger a pele contra danos causados pelo sol devido à alta concentração de flavonóis, antioxidantes que combatem os radicais livres.

Esses compostos também contribuem para melhorar a hidratação e a circulação da pele, aumentando sua resistência aos raios ultravioleta (UV) e reduzindo a vermelhidão. No entanto, é importante lembrar que o consumo não substitui o uso de protetor solar.

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DINO Agência de Notícias Corporativas

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