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COMO IDENTIFICAR E TRATAR A DOENÇA DA EPILEPSIA

Muitas pessoas já presenciaram um indivíduo tendo crises epilépticas, mas poucos sabem exatamente o que é epilepsia e como tratá-la. A epilepsia é um problema neurológico comum caracterizado clinicamente pela presença de crises convulsivas de repetição, nas quais o indivíduo pode ou não perder a consciência e se contorcer

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São Paulo, SP 27/3/2013 – O tratamento da epilepsia depende, primeiramente, de um diagnóstico correto e, a partir daí, orientações para prevenção de crises e o uso racional de medicações antiepilépticas

Por Dr André Felicio, neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá (CRM 109665)

Muitas pessoas já presenciaram um indivíduo tendo crises epilépticas, mas poucos sabem exatamente o que é epilepsia e como tratá-la. A epilepsia é um problema neurológico comum caracterizado clinicamente pela presença de crises convulsivas de repetição, nas quais o indivíduo pode ou não perder a consciência e se contorcer. Afeta desde recém-nascidos até idosos e tem um amplo diagnóstico diferencial.

A epilepsia manifesta-se pelas crises convulsivas que, de um modo geral, podem ser classificadas em crises parciais simples (não se perde a consciência e o indivíduo tem algum sinal/sintoma neurológico focal e transitório, por exemplo, pequenos abalos musculares da face e membro superior de um lado do corpo), crises parciais complexas (há um comprometimento da consciência e não perda total dela e são frequentes os chamados automatismos motores, em que o indivíduo estala os lábios, pisca os olhos várias vezes, movimenta uma das mãos sem propósito) e as crises generalizadas (nas quais a consciência é perdida transitoriamente e ocorrem contraturas seguidas de abalos musculares em todo corpo).

Para entendermos como uma crise epiléptica ocorre, precisamos comparar o cérebro a um verdadeiro circuito elétrico, em harmonia, onde os neurônios (as células do cérebro) se comunicam uns com os outros transmitindo impulsos nervosos, ou literalmente corrente elétrica. Quando esta harmonia é perdida e um grupo de neurônios passa a “disparar” de maneira síncrona, diferente de seus vizinhos, pode haver uma crise convulsiva ou uma descarga epileptiforme.

Em recém-nascidos, problemas que ocorreram na gestação ou no parto, como malformações do sistema nervoso central e doenças metabólicas, são causas frequentes de epilepsias. Em crianças de 5 meses a 5 anos são comuns as chamadas crises febris, que normalmente não persistem após este período, e acontecem porque o aumento da temperatura em um cérebro ainda imaturo pode ser prejudicial. Em adultos, a principal causa de crise convulsiva é a chamada epilepsia do lobo temporal e, em idosos, crises convulsivas de início recente são normalmente secundárias a acidentes vasculares ou tumor.

O tratamento da epilepsia depende, primeiramente, de um diagnóstico correto e, a partir daí, orientações para prevenção de crises e o uso racional de medicações antiepilépticas. O tratamento com medicações leva em conta, principalmente, o tipo de crise, efeitos colaterais das próprias medicações, gravidade das crises e comorbidades que o paciente possa apresentar.

O principal objetivo do tratamento é reduzir o número de crises, preferencialmente, extingui-las por período prolongado. Todas as medicações podem levar a efeitos colaterais que deverão ser discutidos com o médico e monitorados ao longo do tratamento. Os efeitos colaterais dependem da medicação em si e da sensibilidade do paciente. Por isso, há uma variação grande entre pessoas tomando o mesmo remédio. Efeitos colaterais comuns são: tontura, vermelhidão na pele, sonolência, aumento de apetite, queda de cabelo, alterações no fígado, crescimento da gengiva, entre outros. Normalmente os indivíduos com epilepsias mal controladas acabam desenvolvendo uma série de problemas neuropsiquiátricos, em particular, depressão, ansiedade e ideação suicida.

A prevenção primária da epilepsia ainda é difícil, mas um diagnóstico precoce e correto, com tratamento adequado, pode colocar o indivíduo em uma situação livre de crise por vários anos e proporcionar uma melhor qualidade de vida. Finalmente, ainda é preciso desmistificar a epilepsia e o que cerca este problema, disseminar informação correta e, sobretudo, apoiar o portador de epilepsia na sua inserção completa em nossa sociedade civil.

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Anderson Scardoelli

Jornalista, 31 anos. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupa atualmente.

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