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Equipes de reportagem são hostilizadas e ameaçadas por manifestantes

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Jornalistas ligados ao Grupo Globo foram alvos de caminhoneiros. Com isso, profissionais da TV Globo, EPTV, InterTV, TV Grande Rio e O Globo tiveram seus trabalhos prejudicados durante cobertura da paralisação

“Fora Temer”, “golpe” e “Lula livre”. Esses e outros termos foram ditos por manifestantes que atrapalharam a participação ao vivo da jornalista Hellen Sacconi, da EPTV, na edição especial do ‘Jornal Hoje’ desta segunda-feira, 28, sobre a continuação da paralisação de caminhoneiros Brasil afora. Além do caso envolvendo a profissional da afiliada da TV Globo, outras equipes de reportagem ligadas ao Grupo Globo tiveram seus trabalhos prejudicados. Eles sofreram com ameaças e ofensas.

Com o ‘Jornal Hoje’ indo ao ar logo pela manhã, devido à cobertura extraordinária feita pela Rede Globo e afiliadas, Hellen Sacconi estava acompanhada de cinegrafista e assistente para reportar como estava a situação relacionada à distribuição de combustível e ao tráfego de caminhões em Paulínia (SP). A cidade recebe o sinal da EPTV, como parte do interior paulista e o sul de Minas Gerais.

A informação a ser passada aos telespectadores, porém, ficou incompleta, uma vez que um grupo se aproximou da câmera para protestar. Com a jornalista sendo hostilizada, o sinal do link foi cortado. No estúdio do ‘JH’ em São Paulo, Dony De Nuccio demonstrou indignação. “O pessoal aproveita essa entrada ao vivo para fazer esse protesto”, disse o âncora, conforme registrado pelo site otvfoco.com.br.

https://www.youtube.com/watch?v=eI7f9r6PWAY&t=18s

Afiliadas

Também afiliada à Rede Globo, a InterTV Grandes Minas teve alguns de seus profissionais se tornando alvo de caminhoneiros. No domingo, 27, a equipe de reportagem liderada por Ana Carolina Ferreira em Montes Claros (MG) teve de ouvir os gritos de “fora Globo”. Vídeo divulgado no Twitter mostra que parte dos manifestantes cercou a jornalista, enquanto outra turma impediu os mais exaltados de se aproximarem. Apesar da situação, ela informa que conseguiu colher material para noticiar. “Cumpri meu papel de jornalista e não permiti que me impedissem de fazer a minha reportagem. Fiz e vai estar no ar segunda”, comentou a repórter em seu perfil no Facebook.

 

 

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Jornalista conseguiu trabalhar mesmo sendo hostilizada (Imagem: reprodução/Facebook)

A sexta-feira, 25, foi complicada em termos de trabalho para o grupo que teve Paulo Ricardo Sobral como repórter. Ao lado da equipe, o jornalista da TV Grande Rio, parceira da Rede Globo baseada em Petrolina (PE), recebeu ameaças. Ele informa, conforme relatado pela página local do G1, que houve tentativa de censura. Alguns dos manifestantes tentaram o impedir de gravar imagens. “Eles disseram que não queriam que a gente gravasse de jeito nenhum. Ameaçaram, pediram que a gente apagasse as imagens que já tinham sido feitas. Disseram que se a gente voltasse por lá, eles iam parar nosso carro e iam incendiar os nossos equipamentos e nosso veículo”, garantiu o comunicador. Por medida de segurança, os profissionais da emissora precisaram ser escoltados.

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(Imagem: reprodução/TV Globo/Observatório da Televisão)

Tentativa de “entrevista”

Em meio à greve, um manifestante registrou o momento em que intimida a repórter Sabina Simonato, da TV Globo de São Paulo, e os profissionais que a acompanhavam. Identificando-se como Gino e carregador do Ceagesp, maior entreposto do país, ele começa o vídeo falando que queria gravar uma entrevista com a jornalista. A profissional afirma que não pode falar a respeito. O homem, então, começa a seguir Sabina, que se aproxima do cinegrafista. Interpelado, o repórter cinematográfico afirma que também não falaria, pois não tinha opinião formada para comentar a paralisação dos caminhoneiros. Divulgado no Facebook, o material sem tido alvo de críticas, com muitos internautas condenando a postura adotada pelo manifestante.

Ameaça de ataque

O fim de semana ainda foi marcado por ameaça de agressão à equipe de reportagem do jornal O Globo que se dirigiu até a Refinaria Duque de Caxias (Reduq), na Baixada Fluminense. De acordo com o próprio veículo de comunicação, uma repórter, um fotojornalista e um motorista chegaram a ser abordados durante a pauta. “[Eles] tiveram de sair às pressas do local depois de dois homens terem mostrado um artefato que parecia uma granada”. Segundo a reportagem, manifestantes ameaçaram atear fogo no carro com a identificação da marca da empresa de comunicação.

O ato foi lamentado por Ricardo Pedreira, diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). “Quando o jornalista é ameaçado, o próprio direito das pessoas de serem informadas é prejudicado”, disse o representante da entidade. Apesar de se referir ao caso de O Globo, o comentário faz sentido aos outros relatos de ameaças e ofensas encarados por profissionais da imprensa nos últimos dias.

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Anderson Scardoelli

Jornalista "nativo digital" e especializado em SEO. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupou até abril de 2022.

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