OPINIÃO

Errou feio – por Heródoto Barbeiro

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(Imagem: reprodução)

“O presidente era bom de entrevistas. Suas declarações repercutiam em todo o país e rapidamente eram aplaudidas pelos apoiadores e criticadas pelos adversários”. Em mais um artigo para o Portal Comunique-se, o “mestre do jornalismo” Heródoto Barbeiro analisa as atitudes de um certo presidente da República

O presidente era bom de entrevistas. Suas declarações repercutiam em todo o país e rapidamente eram aplaudidas pelos apoiadores e criticadas pelos adversários. Finalmente, tomou a decisão de atacar diretamente os que se opunham ao Estado brasileiro. Afinal, era um parlamentar e tinha, pelo menos, uns 28 anos de carreira política. Classificou que o país sofria de uma ameaça comunista, mas não oriunda do comportamento do povo e dos trabalhadores, ordeiros e democratas.

Mas no aparelhamento, ou infiltração, como gostava de dizer, em comandos administrativos e dali influenciavam na condução dos destinos do governo. Assim, os sindicatos deveriam ser libertados de influências políticas da cúpula que se eternizavam desde a criação dos mesmos. Deixou claro que não compactuava com o governo anterior que se apoiou em forças das esquerdas influenciadas por países socialistas como Cuba. Era chegada a hora de trocar o modelo intervencionista do Estado na economia por uma abertura liberal, com crescimento e distribuição de renda. Enfim pular de cabeça no capitalismo, sem vergonha.

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O país precisa ser reformado, repetia o presidente. Para isso, seria necessário fazer mudanças na ordem social e econômica. Elas seriam pautadas com a preservação integral do princípio da propriedade privada, que é o motor do crescimento, aumento da oferta de emprego e geradora de oportunidades para que outras camadas da população também tenham acesso a bens e serviços. Todos tem o direito de melhorar de vida, dizia ele . O Brasil das reformas é o Brasil democrático contra os privilégios e contra os extremismos.

É o Brasil sem frustrações. Esperançoso, rico e mais justo, declarou ele aos jornalistas que o acompanhavam no Rio de Janeiro. Mais do que nunca é preciso esquecer o passado, a mente clara , para pensar sem ódios e sem rancores. A turbulência politica gerada pelo governo anterior deveria ser suplantada com o pensamento voltado para Deus, grato a sua proteção ao Brasil, e ao seu povo. O auge da crise felizmente passou e agora seria necessário conter a inflação, baixar os juros, garantir a presença de investidores nacionais e internacionais, enfim mergulhar no desenvolvimento capitalista mundial, como apoio dos grupos americanos e europeus, repetia.

“É o Brasil sem frustrações. Esperançoso, rico e mais justo, declarou ele aos jornalistas que o acompanhavam no Rio de Janeiro”

A legalidade é anticomunista mas não é antipopular, disse o presidente no final do mês de março. Há a restauração imediata da paz com legalidade e disciplina e com a hierarquia restauradas nas Forças Armadas. No auge da crise a hierarquia miliar tinha que ser ouvida, e foi. A paz está mantida. A legalidade engrandecida. A disciplina e hierarquia rejuvenescidas. A legalidade democrática conduzira o país as eleições e ele mesmo não escondia de ninguém que seria candidato a reeleição a presidência da república.

Será a continuidade do regime, já restaurado com a posse, pelo Congresso, do meu eminente companheiro de partido, disse ele em entrevista para a revista O Cruzeiro, na sua “Edição Histórica da Revolução “, o presidente Ranieri Mazzilli. Juscelino Kubitschek, senador da república, dava publicamente apoio ao golpe militar que depôs o presidente constitucionalmente eleito João Goulart. Acreditava que a presença dos militares seria mais um “salvação “ uma intervenção rápida e cirúrgica na política com a volta aos quartéis e a eleição presidencial marcada para 1965. Errou feio.

SOBRE O AUTOR

Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro

Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal da Record News’. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

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