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Facebook, Google, Twitter… em que mãos estamos?

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Heródoto Barbeiro analisa Facebook, Google, Twitter e outras redes (Imagem: Reprodução)

Facebook, Google, Twitter, Yahoo e Verizon. Essas empresas chegaram com uma voracidade nunca vista sobre as verbas publicitárias e…

Era para ser grátis. O seu desenvolvimento foi identificado com um custo marginal próximo de zero. Pendurar mais uma computador ou smart phone na rede custaria quase nada. Tudo parecia perfeito com o advento da terceira onda de transformação tecnológica. Contudo ela trouxe dentro de si sua própria contradição. As oportunidades de novos negócios na web móvel destruíram a gratuidade da internet que passou a ser monetizada das formas mais diversas.

O que parecia ser uma imensa rede capilar com inúmeros emissores e receptores de informações foi apropriada por um pequeno número de plataformas. Entre elas pontificam o Facebook, Google, Twitter, Yahoo e Verizon. Essas empresas chegaram com uma voracidade nunca vista sobre as verbas publicitárias e juntaram mais de 65 por cento de tudo o que se investe na rede. No topo estão Google e o Facebook que desenvolvem produtos que conquistam cada vez mais investimentos.

Isto já acendeu a luz vermelha nos departamentos de receitas de países europeus e de organizações jornalísticas que temem um duopólio na difusão e geração de notícias em âmbito mundial. Subsidiarias dessas empresas produzem equipamentos que traduzem o texto e o áudio em tempo recorde de qualquer língua para qualquer língua. Ou pelo menos do inglês para os quatro idiomas mais falados do mundo.

O controle da rede saiu de muitas mãos para as mãos de poucos. Uma das contradições geradas é que as receitas da mídia tradicional,- tevê, rádio, jornal e revista – baseadas na publicidade, classificados e assinaturas, migraram para as novas mídias. As agência publicitárias avaliaram como mais eficazes os anúncios exibidos nas grandes plataformas e houve uma transferência sensível dos investimentos nas novas mídias. Os assinantes na web não são lucrativos como os que assinam as plataformas tradicionais.

Assim verifica-se uma queda de faturamento dessas empresas que atualmente estão em um planeio, mas podem a qualquer momento sofrer um estol e ao invés de um pouso suave no aeroporto do resultado, cair de bico na cabeceira da pista. Ficaram à mercê do poderoso Facebook. A plataforma transformou-se na responsável pela maior influência sobre o consumo de notícias no mundo. Portanto, andam na prancha, de mãos dadas, os núcleos de marketing, comercial e jornalismo. Publicitários e jornalistas estão na mira dessas mudanças.

A passagem para as mídias digitais dos produtos das mídias tradicionais tiveram a força da movimentação de placas tectônicas para publicitários e jornalistas. Estes estão ligados umbilicalmente nas empresas. Sonhavam que seria possível encontrar uma saída para que o ecossistema tradicional se mantivesse. Contudo a publicação de material multimídia de qualquer lugar, jornalismo interativo, podcasts e crowdsourcing deram uma esperança para propagação plural de notícias e os bancos de dados proporcionariam oportunidades para a construção de reportagens.

É verdade que o choque foi sentido nas redações e nos departamentos de vendas. Ambos tiveram o número de profissionais reduzidos. Os publicitários com a queda do faturamento e os jornalistas com o advento de uma tecnologia que proporciona executar várias atividades ao mesmo tempo, como produzir e editar uma reportagem e coloca-la no ar. Na redação da CNN, em Atlanta, onde estive em estágio, me surpreendeu que além dessas funções o jornalista que me ajudou, também colocou-me o microfone, acendeu às luzes, chamou a maquiadora e avisou a técnica que eu estava pronto para fazer uma entrada ao vivo no Jornal de Record News. Detalhe : a câmara estava travada, sem ninguém.

SOBRE O AUTOR

Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro

Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal da Record News’. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

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