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Newton Carlos, uma vida dedicada à cobertura internacional

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O jornalista Newton Carlos de Figueiredo. (Imagem: reprodução/Abraji)

Newton Carlos de Figueiredo estava com 91 anos. Ele se destacou na área de jornalismo internacional. “Papai foi um jornalista gigante”, enaltece a filha — e jornalista — Janaína Figueiredo

O jornalista Newton Carlos de Figueiredo morreu na segunda-feira, 30 de setembro, no Rio de Janeiro. Ele completaria 92 anos em novembro e dedicou boa parte de sua vida ao jornalismo, tornando-se uma referência na cobertura internacional. Newton era casado com Eliana Brazil Protásio havia 34 anos, com quem teve três filhas — Cláudia, Márcia e Janaína Figueiredo. Essa última seguiu os passos do pai e hoje trabalha no jornal O Globo.

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“Papai foi um jornalista gigante”, escreveu Janaína em uma publicação feita no Twitter. “Um exemplo a seguir e a destacar por seu profissionalismo, dedicação e amor à profissão”. Newton Carlos de Figueiredo era considerado um mestre por profissionais com carreiras igualmente excepcionais no jornalismo. É o caso de Jânio de Freitas, atual colunista da Folha de S. Paulo. Era com Clóvis Rossi, morto em 14 de junho.

Newton Carlos de Figueiredo nasceu em Macaé (RJ) em 19 de novembro de 1927. Começou sua carreira no jornalismo nos anos 1940, no Correio da Manhã. Depois, trabalhou no Jornal do Brasil, colaborou com diversos veículos internacionais e, assim como Jânio e Clóvis, foi colunista da Folha de S. Paulo. Atividade que desempenhou durante 25 anos. O jornalista também escreveu diversos livros sobre política internacional, dentre eles América Latina dois pontos e Bush e a doutrina das guerras sem fim.

Carreira na TV

Na televisão, foi redator do ‘Jornal da Globo’, precursor do ‘Jornal Nacional’. Trabalhou na TV Rio, na TV Tupi e, como repórter da TV Bandeirantes, cobriu todas as eleições americanas desde 1972 e o marcante golpe de Augusto Pinochet, em 1973, no Chile. Os colegas de profissão elogiavam a pesquisa meticulosa que Newton Carlos de Figueiredo fazia para produzir cada reportagem. O jornalista lia publicações estrangeiras para encontrar pontos de vistas conflitantes e consultava bibliografia especializada para dissecar os interesses políticos por trás dos temas que cobria. Por isso, era considerado não só um repórter, mas também um analista internacional.

Explicador do mundo

Rosental Calmon Alves, jornalista que trabalhou como correspondente do Jornal do Brasil em Buenos Aires e Washington, e hoje é diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, falou ao jornal O Globo sobre como Newton Carlos de Figueiredo redefiniu a cobertura internacional.

“Ele foi uma inspiração para o meu interesse pelo noticiário internacional, com suas colunas sempre informativas e explicativas sobre os mais intrincados assuntos de política internacional. A gente lia as notícias para saber o que estava acontecendo em terras distantes, mas depois achava a explicação na coluna do Newton Carlos, que nos permitia entender o que estava acontecendo de verdade e o que significava aquele acontecimento. Primeiro, Newton Carlos era o explicador do mundo, mas depois se tornou o explicador da América Latina”.

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Por Natália Silva.

SOBRE O AUTOR

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Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Criada em 2002 por um grupo de jornalistas brasileiros interessados em trocar experiências, informações e dicas sobre reportagem, principalmente sobre reportagens investigativas. É mantida pelos próprios jornalistas e não tem fins lucrativos.

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