OPINIÃO

Para não cair no gemidão

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(Imagem: reprodução/GloboNews)

Na última semana, Octavio Guedes, da GloboNews, caiu na brincadeira. Gemidão do WhatsApp já fez outras vítimas no mundo da imprensa. É o que conta o jornalista Ricardo Nóbrega em artigo para o Portal Comunique-se

Seja no ônibus, no banco, no silêncio da igreja, reuniões ou até mesmo em apresentações em público. Se ainda não caiu, prepare-se: você corre o sério risco de ser a próxima vítima. A pegadinha mais famosa da comunicação contemporânea não tem hora pra acabar.

O som do gemido de uma atriz pornô em cena já colocou muita gente em situações constrangedora. Até nos tribunais a brincadeira já foi parar, como no caso do motoboy que entrou na justiça do trabalho ao ser demitido, por justa causa, ao abrir o áudio no ambiente no trabalho. A empresa empregadora, uma farmácia, alegou conduta profissional inadequada e, por causa da confusão, seus clientes foram embora, o que resultou em prejuízos financeiros. Neste caso, a Justiça foi a favor do motoboy, pois ele não teve a intenção de colocar o som naquele momento.

O áudio que ficou famoso há quase dois anos é da atriz pornô panamenha Alexia Texas, de 33 anos. A brincadeira é periodicamente destaque na imprensa com situações embaraçosas registradas por câmeras ao vivo. Não faltam exemplos! Senador Cássio Cunha (PSDB/PB) durante sua fala na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Durante o ‘Bate-Bola’, atração da ESPN, o jornalista Gian Oddi ecoou o gemido pelo estúdio. Não pensem que a brincadeira é exclusividade dos brasileiros. A repórter Emma Vardy e a equipe da BBC britânica foram surpreendidos durante um link para o programa ‘BBC Breakfast’.

“A brincadeira é periodicamente destaque na imprensa com situações embaraçosas registradas por câmeras ao vivo”

As reações são as mais estranhas: rosto vermelho (quase roxo), pânico, desespero para encontrar o volume do celular. Isso quando o aparelho não cai no chão.

Por isso, ao cair na pegadinha, o melhor é se deixar levar pela brincadeira: cair na risada, comentar sobre o sucesso do gemidão (quem nunca?!) e seguir a vida. Mas para não chegar a esse ponto, o mais indicado é evitar abrir arquivos em determinados ambientes como uma reunião com o cliente, programas de rádio ou TV e apresentações em público. O fone de ouvido também surge como aliado neste momento. Outro detalhe importante é acompanhar o histórico da conversa do grupo. Logo depois do áudio costuma vir os comentários de revolta das primeiras vítimas.

Na maioria das vezes, a chamada para o “gemidão” vem acompanhada de uma fake news: “confira o áudio que mostra o escândalo na Copa do Mundo”. Existe até um aplicativo chamado “Gemidão do WhatsApp” para a produção das pegadinhas. Caso o celular seja uma ferramenta para essas ocasiões, o ideal é deixar os arquivos separados e identificados exemplo: audioreuniao.adv.

Na maioria das vezes, a chamada para o “gemidão” vem acompanhada de uma fake news: “confira o áudio que mostra o escândalo na Copa do Mundo”

Na última sexta-feira, 11, o jornalista Octavio Guedes foi a bola da vez. O som “gemidão” vazou na redação do programa ‘Estúdio i’, da GloboNews, durante uma entrevista com o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP).

O gemidão está por aí a procura de novas vítimas e reunindo novos adeptos. Então, desculpe o velho ditado, fica essa dica: “quem não escuta cuidado, escuta coitado”.

Sim! Também sou vítima da brincadeira.

 

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Por Ricardo Nóbrega. Especialista em comunicação organizacional e assessor de imprensa da Fundação Cásper Líbero.

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