OPINIÃO

Por que vem acabando em pizza?

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(Imagem: reprodução)

Parceira do Portal Comunique-se, Marina Machado analisa o livro do caricaturista Cláudio de Oliveira. Pizzaria Brasil é a obra da vez do ‘Palavras Cruzadas’

Pizzaria Brasil. Livro produzido pelo caricaturista e jornalista Cláudio de Oliveira ganhou vídeo. É Marina Machado, articulista-parceira do Portal Comunique-se, quem faz crítica à obra.

Assista | Por que vem acabando em pizza?

Sinopse – no site da editora Devir:

APRESENTAÇÃO
Este livro reúne uma seleção de desenhos que publiquei em diversos jornais e revista do país, ao longo dos últimos 30 anos. Utilizando a linguagem do humor, as charges retratam os fatos mais marcantes da história recente do Brasil e estão acompanhadas de um texto explicativo, para sua melhor compreensão. À exceção das ilustrações sobre a década de 60, todos os desenhos foram realizados e publicados na época mesma em que os fatos aconteceram.

Publiquei minha primeira charge política em 1977, nas páginas do “Pasquim”, o conhecido jornal de humor que agitou o jornalismo brasileiro nos anos 70 e 80. Foi Henfil quem me convidou para colaborar com o semanário carioca. Tinha eu então 14 anos e o jornal era impróprio para menores de 16 anos.

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A leitura do “Pasquim” e a breve convivência com Henfil, um dos mais importantes cartunistas políticos do país, à época morando em Natal, levaram-me para a charge política. Mas não só. O Brasil vivia uma conjuntura politicamente intensa. Era época da abertura e os movimentos sociais retomavam à cena. Organizava-se o movimento da Anistia, que pedia a libertação dos presos políticos e a volta dos exilados. Os estudantes saíam às ruas para reivindicar a legalização da UNE. No ABC paulista, os metalúrgicos desafiavam o regime autoritário com greves e moblizações.

O “Pasquim” deixava de ser submetido à censura prévia, apesar de ter várias edições apreendidas.

Naquela nova realidade, surgem novos jornais da chamada imprensa alternativa. É o caso do “Em Tempo”, semanário paulista, no qual colaborei de 1979 a 1982. Ou a “Voz da Unidade”, que passa a circular em 1980 como o jornal oficioso do proscrito PCB, já então de posições políticas moderadas. Na “Voz”, publiquei de 1982 até o fechamento do jornal, no início dos anos 90.

Ainda em 1976, havia começado a trabalhar no diário natalense ” Tribuna do Norte”, desenhando charges esportivas. O jornal, cujos diretores tiveram os direitos políticos cassados, se engaja na campanha da Anistia, no movimento das Diretas e na eleição de Tancredo Neves e abre espaço para o meu trabalho de cartunista político.

As melhores charges desse período estão aqui reunidas nos quatro primeiros capítulos.

Depois de uma breve passagem pelo “Diário de Natal”, fui estudar na então Tchecoslováquia. De 1989 a 1992, freqüentei o atelier de artes gráficas da Escola Superior de Artes Industriais de Praga. Foi um período não só de aperfeiçoamento técnico, como também de amadurecimento político. Tive oportunidade de acompanhar os debates que se seguiram à queda do muro de Berlim, à derrocada do”socialismo real” e à dissolução da União Soviética. Refiz meus conceitos políticos.

De volta ao Brasil, radiquei-me em São Paulo e passei a publicar nos jornais do grupo Folha. Inicialmente nos cadernos regionais da “Folha de S. Paulo”, depois com passagens no primeiro caderno e no “Cotidiano”, com a coluna “Ribalta”. A partir de junho de 1993, tornei-me o chargista da primeira página da extinta “Folha da Tarde” e, a partir de 1999, do “Agora São Paulo”.

Uma seleção dos desenhos desse período ilustram os três últimos capítulos, mais alguns trabalhos publicados na revista “Bundas” e no “Pasquim21″, ambos editados por Ziraldo.

Durante estes 30 anos, tive como matéria-prima as mazelas do Brasil: o autoritarismo político, a falta de transparência dos poderes públicos, a corrupção, a desigualdade social, a baixa renda da maioria dos brasileiros, as crises econômicas. Ao longo das três décadas, as principais forças políticas do país ocuparam o poder central. Algumas delas contavam com minha simpatia de cidadão. Mas o chargista não nutre simpatias. É adepto do ditado “perco o amigo, mas não perco a piada”.

Espero que tenha bom proveito, caro leitor. — Cláudio de Oliveira — São Paulo, abril de 2007

SOBRE O AUTOR

Marina Machado

Marina Machado

Jornalista, mãe, esposa, cozinheira amadora, violoncelista que não sai da estaca zero e leitora apaixonada. Adora viajar pelo mundo e se aventurar em cachoeiras e trilhas. Também adora cinema, séries de televisão, paraquedismo, vinhos, e, apesar de não ser médica, tem muita paixão pela área da saúde. Trabalha com televisão desde 1998, tendo iniciada a carreira na TV Bandeirantes e somando passagens por Record TV e TV Globo ('Auto Esporte'). É, desde 2008, repórter do 'Jornal da Band' e apresentadora eventual dos noticiários da emissora. Já cobriu eventos internacionais, eleições, acontecimentos históricos e conheceu um número incontável de pessoas que jamais teria contato não fosse a minha nobre profissão como repórter.

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