COMUNICAÇÃO ESPECIAIS

Série sobre os 100 anos da Guerra do Contestado resgata os valores do jornalismo, diz repórter do Estadão

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Repórter do Estadão entrevistou "os meninos" do Contestado. (Imagem: Reprodução/Estadão)

Matérias produzidas para o impresso, 35 reportagens publicadas no online e a produção de um documentário de 16 minutos. Esse foi o resultado da série de O Estado de São Paulo sobre a Guerra do Contestado, que completa 100 anos em outubro deste ano. Para o jornalista Leonencio Nossa, responsável pela elaboração do material ao lado do repórter fotográfico Celso Júnior, esse trabalho constata a necessidade de aumentar o espaço dado às grandes matérias.

Leonencio afirma ao Comunique-se que a produção da série de reportagem sobre o Contestado teve início há mais de um ano.  Ele avalia que o gancho central do levantamento dos últimos meses – “Os meninos do Contestado”- foi o único possível devido à falta de dados e fontes a respeito dos conflitos ocorridos na região oeste de Santa Catarina, de 1912 a 1916. Os personagens principais usados pelo veículo foram três senhores, com mais de 100 anos, que presenciaram de perto as lutas e as mortes quando crianças.

Demonstrando satisfação com o resultado obtido com “Os meninos do Contestado”, o jornalista declara que as entrevistas com os sobreviventes dos confrontos serviram para ir além da divulgação de dados e informações passadas por órgãos oficiais, como documentos do Exército. Leonencio diz que a reconstituição histórica do caso era muito frágil.  “Não tínhamos as pessoas mais velhas, mas fomos procurar o outro lado e conseguimos três olhares diferentes”, relata.

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O jornalista Leonencio Nossa (Imagem: Arquivo pessoal)

Com o trabalho finalizado e publicado pelos veículos do Grupo Estado, Leonencio considera que as mais de três dúzias de reportagens do Contestado ajudam a valorizar a produção de notícias que buscam o contexto histórico e a discussão sobre determinado assunto. “Resgata os valores do jornalismo, da grande reportagem: de procurar, investigar, ir à rua, fazer o trabalho de campo”, analisa. Ele sugere que matérias assim já “vivem bom momento” e provocam o “debate público”.

O jornalista conta que a equipe do veículo já tem o costume de se dedicar a pautas especiais e que exigem tempo e envolvimento dos jornalistas. Inclusive, novamente em parceria com Celso Júnior, ele produziu o caderno especial ‘Guerras Desconhecidas do Brasil’, publicado no dia 19 de dezembro de 2010 e que rendeu seis prêmios de jornalismo à dupla. Na ocasião, foram consultados recortes de periódicos e cartórios.

Jornalismo multimídia
Há anos atuando no Estadão, o repórter ressalta a importância que a internet teve para a série especial dos 100 anos da Guerra do Contestado. “A questão de fazer grandes reportagens no impresso esbarrava em dois grandes problemas: o custo e o espaço do impresso. Hoje, não há mais esse problema. No online não tem limite para texto e foto. Fizemos as matérias sem ter aquela preocupação se caberia nas páginas do jornal”. O jornalista, entretanto, afirma que o documentário exibido na TV Estadão foi a “menina dos olhos” da equipe.

SOBRE O AUTOR

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Anderson Scardoelli

Orelhudo, observador e contador de histórias. Não necessariamente nessa ordem. De sua querida Estância Turística de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para o mundo. Graduado em jornalismo pela Uninove e com especialização em jornalismo digital pela ESPM, mas gosta mesmo de dizer que foi formado pelo Comunique-se. Trabalha na empresa há mais de 10 anos, indo de estagiário de pesquisa a editor sênior. No meio do caminho, foi estagiário de redação, trainee, subeditor, editor júnior e editor pleno. Gosta de escrever e de falar sobre (adivinhem?) jornalismo!