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Taxa Selic e caixa pressionam pequenas farmácias no Brasil

A inadimplência empresarial atingiu recorde histórico em outubro de 2025, afetando 8,7 milhões de companhias e somando R$ 204,8 bilhões em dívidas. O varejo farmacêutico, composto majoritariamente por pequenas empresas, enfrenta o desafio de equilibrar a compra antecipada de estoque com a taxa Selic alta. Segundo o Panorama Farmacêutico, as falências de farmácias quase dobraram no Brasil este ano.

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O número de empresas brasileiras impossibilitadas de quitar débitos atingiu o maior patamar da série histórica em outubro de 2025, segundo dados da Serasa Experian iniciados em 2019. O volume de inadimplência alcançou 8,7 milhões de companhias, resultando em R$ 204,8 bilhões em valores devidos. O cenário é mais severo entre as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que representam 8,2 milhões do total de inadimplentes, somando R$ 184,6 bilhões em contas em atraso.

Com a taxa Selic num patamar bastante restritivo, a pressão sobre o capital de giro é acentuada no varejo farmacêutico, visto que o setor opera sob um modelo de compra antecipada de estoque, enfrentando prazos de fornecedores mais curtos do que o ciclo de recebimento das vendas. Em maio, dados do Banco Central já apontavam que esses negócios somaram R$ 1,179 bilhão em empréstimos, alta de 11,6% em doze meses. O financiamento, voltado majoritariamente à manutenção da operação, torna-se oneroso diante da restrição de crédito e do esfriamento econômico.

A conjuntura macroeconômica reflete diretamente na capacidade de gestão das obrigações financeiras. A desaceleração na concessão de crédito limita a capacidade das empresas de renegociar dívidas e reorganizar suas obrigações, aumentando a pressão sobre o caixa. Diante disso, o empreendedor de menor porte recorre ao crédito como forma de manter a rotina financeira, mas sente rapidamente os impactos dos juros altos e da redução na geração de receita.

O aperto financeiro se reflete no avanço dos pedidos de recuperação judicial no setor farmacêutico, que, em 2025, representaram um aumento de 66,67%, de acordo com estudo feito pelo Panorama Farmacêutico. Além do custo de capital, a inflação elevada reduz o consumo, dificultando o escoamento de produtos e a manutenção das margens líquidas. Para evitar a inadimplência, que hoje atinge um patamar recorde, o varejo busca estratégias para otimizar recursos já disponíveis, evitando o endividamento em linhas de crédito livre, cujas taxas médias para empresas podem superar significativamente a taxa básica de juros.

Diante da lacuna de liquidez, é preciso buscar alternativas para mitigar o descasamento entre contas a pagar e a receber. Soluções que utilizam limites já disponíveis no sistema financeiro vêm ganhando espaço como estratégia de gestão de capital de giro. Essas soluções, como a PayPay, PicPay e Recarga Pay, permitem a conversão de limites de cartões em capital imediato, viabilizando o pagamento de fornecedores e tributos sem a necessidade de contratação de empréstimos bancários tradicionais. A solução técnica possibilita que farmácias aproveitem descontos comerciais na compra de medicamentos, diluindo o desembolso no prazo da fatura e reduzindo a dependência de antecipação de recebíveis ou empréstimos.

A expectativa do mercado é de que, mesmo com uma possível redução gradual da Selic ao longo de 2026, a gestão eficiente do capital de giro continue sendo um fator crítico para a sustentabilidade das pequenas empresas.

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DINO Agência de Notícias Corporativas

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