OPINIÃO

Você e eu precisamos das pessoas. Aceitemos que dói menos

ajuda - pessoas - artigo Guifer
(Imagem: Divulgação)

Em muitas das situações no dia a dia (aliás, na maioria delas) nosso destino está sob o veredito ou a escolta de outras pessoas.

Somos humanos e sabemos perfeitamente que não é fácil lidar com a sensação do ‘precisar’, independente se de algo ou alguém, já que é próprio de nosso instinto achar ser dono do próprio nariz e, consequentemente, senhor de todas as dores ultrarregeneráveis.

– Como assim não sou autossuficiente para tomar decisões e/ou resolver meus próprios problemas?

Não, não é. Aliás, não somos ou jamais seremos!

Segurar (firme) um braço que se estendeu em nossa direção naquele instante de necessidade é – geralmente – encarado por nosso ‘sábio’ ego como sequela negativa de decisões equivocadas que adotamos no passado, daquelas que martela o sono da madrugada com extremo sentimento de fracasso e invalidez.

Mas… quem nunca passou por dificuldade que atire a primeira pedra; e quem nunca precisou curvar-se ao auxílio de alguém próximo que dispare uma segunda, maior e ainda mais pesada. Somos todos dependentes um do outro nos mais diversos âmbitos desse plano espiritual, seja financeiro, emocional, profissional, pessoal, e tantos mais que não me recordo para citar.

E a grande realidade é que seguir na contramão dessa necessidade do ‘precisar de alguém’ pode ser considerado ‘tiro no pé’, pois, como bem sabemos, jamais seremos capazes de prever o dia de amanhã.

Os anos passam e uma das primeiras coisas que aprendemos na fase adulta é: NADA está efetivamente sob o alcance das nossas mãos.

Em muitas das situações no dia a dia (aliás, na maioria delas) nosso destino está sob o veredito ou a escolta de outras pessoas. E quando essa verdade vem à tona, ou seja, assim que caímos na real de que nem sempre será do nosso jeito, acabamos inundados por medo, angústia e insegurança incontroláveis.

É como se descobríssemos que o mundo em que vivemos e as decisões que tomamos são totalmente independentes e quase nunca não giram em torno do próprio umbigo.

Não é fácil aceitar que o controle remoto da nossa vida esteja sempre com a pilha falhando, e que, vez ou outra, precisaremos de assistência na manutenção para seguir zapeando tranquilamente.

O que antes era, agora já não é; o que nunca foi, agora passou a ser. E assim por diante – independente do que eu enxergue como bom ou mau para minha vida.

Sozinho não somos – ou conseguimos – nada, e o mais inteligente mesmo é desfrutar relacionamento estreito e amigável com o próximo, buscando entender e internalizar aquela sutil máxima de ‘colocar o rabinho entre as pernas’ para, ou assumir que precisa de ajuda, ou para não desperdiçar a oportunidade em se tornar um alguém especial ajudando quem precisa.

O ‘trocar’, o ‘ajudar’ e o ‘ser ajudado’, é necessidade básica de nossa espécie, e isso tudo, embora simples, pode ser considerado o auge da lucidez por estar tanto em falta nos dias em que vivemos.

Por mais problemas que tenhamos e que possam surgir a todo instante, quando seguimos a cartilha do professor Girafales, de ‘regras básicas de educação elementar que precisa ser praticada naturalmente’, sempre existirá aquela certeza de que não se está abandonado quando mais precisar de um ombro, um conselho ou até mesmo um empréstimo financeiro (porque não?).

Humildade, educação no tratamento com as pessoas, gratidão, empatia, simpatia, deixar sempre as portas abertas, e nunca se achar melhor do que o próximo (porque de fato não se é), talvez sejam algumas chaves para jamais passar aquele aperto inesperado nos dias de escuridão, vendo que se trancafiar em um mundinho inacessível aos nossos iguais pode nos definhar – pouco a pouco – na unha.

SOBRE O AUTOR

Fernando Guifer

Fernando Guifer

Jornalista e escritor. Formado em comunicação social pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e especializado em jornalismo esportivo pela FMU. É autor do livro Diamante no Acrílico – entre a vida e o melhor dela, em que narra o período que acompanhou a batalha de sua filha, Laís, que nasceu prematura e ficou internada por 80 dias.

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