COMUNICAÇÃO OPINIÃO

Você sabe a origem da Black Friday? Por Jean Caristina

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(Imagem: Divulgação)

A Black Friday se aproxima, e com ela, uma série de histórias que demonstram que
a essência da data se perdeu, tornando-se mais um aproveitamento do
estado de ansiedade do consumidor, do que uma estratégia para redução de estoques.

Na “Black Friday”, ou “Sexta-feira Negra”, não se comemora absolutamente nada. É apenas uma data comercial que cai na sexta-feira logo após o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.

No calendário de festividades americanas, o Thanksgiven Day, ou Dia de Ação de Graças, além de uma das datas mais importantes para as famílias norte-americanas, sendo um dia de orações e de gratidão a Deus, marca o início do período de compras para o Natal.

Não se sabe ao certo como, tampouco onde surgiu a expressão Black Friday. Alguns consideram que a data surgiu em meados da década de 1960, quando comerciantes colocavam à venda produtos ultrapassados a preços baixos, com a finalidade de reduzir estoques e abrir espaço para produtos de temporada e linhas mais atuais. Com isso, famílias de baixa renda poderiam presentear no Natal sem grandes gastos, comprando os produtos que estariam em vias de ser retirados das prateleiras.

A qualidade de “Negra”, que não tem absolutamente nada de racial, significa que os comerciantes poderiam “sair do vermelho”, ou seja, os varejistas passariam a ter um incremento em seus caixas, impedindo eventual situação de prejuízo.

A Sexta-feira Negra acontece imediatamente após o Dia de Ação de Graças, que é sempre comemorada na última quinta-feira do mês de novembro.

O mercado a considera uma das mais importantes datas comerciais, superando até mesmo os números do Natal, notabilizando-se pela venda com desconto de produtos eletrônicos, eletrodomésticos e brinquedos. Atualmente, peças de vestuário, alimentação, transporte e até utensílios domésticos entram na farra.

Para os varejistas o dia começa cedo. Em alguns casos, as lojas chegam a abrir às 5h da manhã e fecham apenas quando os produtos tiverem acabado. Milhares de consumidores ávidos por descontos passam a madrugada em longas filas para poder pegar os melhores produtos oferecidos nas primeiras horas do dia.

Em razão do aumento do comércio eletrônico, mais e mais consumidores preferem as compras online. Diversos sites entram em contagem regressiva à meia-noite da quinta-feira para criar ainda mais expectativa nos consumidores.

O fenômeno da Black Friday instigou a criatividade do mercado. A partir dele foi criado também o Cyber Monday, que é destinado apenas às compras online. Ela ocorre na semana seguinte à Black Friday, mas não está nem perto do poder econômico e midiático da data principal.

Foi em meados de 1970 que a data se popularizou, especialmente com a cobertura da imprensa, registrando, in loco, dezenas de consumidores se esmagando nas portas das grandes varejistas, cenas que se repetem ano após ano, com ampla cobertura da imprensa mundial. Cenas de pugilato são registradas anualmente na Black Friday, com consumidores lutando, literalmente, para pegar os melhores produtos expostos nas lojas.

Black Friday - briga 2

Com o aumento do comércio eletrônico essas cenas se tornaram mais incomuns. Atualmente, há mais registros de sites que ficam fora do ar por horas, por simplesmente não suportarem a quantidade de acessos.

Muitos trabalhadores americanos ganham folga na Black Friday, apenas para que possam acessar fisicamente as lojas, o que promete sempre ser uma aventura e tanta para os consumidores em busca de promoções.

Mais de 20 países implementaram a Black Friday. O Brasil é um deles. A data comercial é registrada também na Austrália, Canadá, China, Índia, Japão, México, Nova Zelândia, Paquistão, Reino Unido, Rússia e outros. Alguns consumidores preferem viajar até os Estados Unidos para participar dessa festa do consumismo, o que acaba também sendo um incremento para outros mercados, tais como hoteleiro, gastronômico etc.

No Brasil a expectativa não é diferente. Milhares de consumidores aguardam a data ansiosamente. O mercado também. Especialmente em tempos de recessão, a Black Friday brasileira se tornou uma data de importante aumento das vendas. Não à toa, nos shoppings centers a expressão é absolutamente comum. Promoções são anunciadas semanas antes da grande data e, por vezes, se extendem nos dias e semanas seguintes.

No entanto, observa-se, por aqui especialmente, a perda de sua finalidade, pois pretende-se, com a Black Friday, reduzir-se o estoque de produtos que em breve serão substituídos por outros. No Brasil há um certo improviso. Os varejistas também vendem produtos novos ou que acabaram de ser lançados, além de haver uma prática reiteradamente registrada pelos órgãos de proteção do consumidor de, dias antes do evento, aumentarem-se os preços dos produtos para transparecer ao consumidor uma falsa ideia de desconto.

Por causa desta prática ilícita muitos passaram a chamar a Black Friday de “Black Fraude”, já que alguns empresários aguardam a data e o estado de ansiedade dos consumidores para impor seus produtos a preços idênticos aos anteriormente praticados, mas que são intencionalmente manipulados, tornando a experiência uma aventura de pesquisa e de incredulidade.

Desde a importação do Black Friday pelo mercado brasileiro, que se consolidou em 2010, registram-se diversas práticas abusivas e enganosas neste que poderia ser, assim como para boa parte da população americana, um período de compras de produtos de segunda linha a preços baixos, ajudando o mercado a melhorar seus números e contribuindo para que a população menos abastada tenha acesso a diversos bens a preços mais palatáveis.

SOBRE O AUTOR

Jean Caristina

Jean Caristina

Doutor e Mestre em Direito Econômico pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduado em Direito pela Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Coordenador do curso de Direito da Universidade Nove de Julho (Uninove). Professor universitário, advogado e criador-articulista do site intervalolegal.com.br. Atua em relações jurídicas da publicidade, com foco no Direito do Consumidor e na proteção do direito constitucional da livre expressão e comunicação.

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