OPINIÃO

A volta de um ex-presidente – por Heródoto Barbeiro

A volta de um ex-presidente - por Heródoto Barbeiro
Imagem: iStock

Em seu novo artigo no Portal Comunique-se, Heródoto Barbeiro comenta sobre a nova candidatura de um ex-presidente

Ele é um candidato fortíssimo à presidência da república. Tem um forte apelo popular e para alguns veículos de comunicação é imbatível nas próximas eleições presidenciais. Seus dois mandatos anteriores deixaram marcas profundas no país, e uma boa parte dos eleitores têm saudades dos tempos em que governou a nação por nove anos.

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Afirmam que durante esse período a qualidade de vida melhorou e, principalmente os trabalhadores, tiveram ganho de renda e de autoestima. O país tinha o respeito internacional, o que fazia dele uma exceção na América Latina. A campanha eleitoral nem bem se inicia e o ex-presidente é lembrado como o governante mais bem sucedido na história nacional. É visto por muitos como um ícone, um mito a ser preservado.

Ele deixou o último mandato da presidência com alta taxa de aprovação do seu governo, o que o habilita a ter uma terceira oportunidade de governar o país. Dizem os institutos de pesquisas que a aprovação chegou a mais de 60 por cento.

Ninguém esquece as diretrizes nacionalistas dos seus dois governos através de forte impulso ao desenvolvimento de empresas estatais. Não esconde que não quer aproximação com o governo americano e procura outras alternativas internacionais. Busca mercados que possam adquirir os produtos nacionais, principalmente os provenientes do agronegócio.

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Essas diretrizes carreiam grande apoio dos movimentos dos trabalhadores e da população de baixa renda. Sua campanha eleitoral tem como alvo buscar, pela terceira vez, o apoio das camadas mais pobres, a quem promete a volta da idade de ouro. Os funcionários públicos o apoiam integralmente, uma vez que foi responsável pelo crescimento da máquina pública, com muitos empregos oferecidos pelas empresas estatais e órgãos governamentais.

Ele é acusado de ter se aproveitado pessoalmente dos benefícios do governo durante os seus dois mandatos. Há uma forte campanha de oposicionistas que o acusam de populista e de admirador de países totalitários. Nada disso cola no candidato. Ele está de volta ao campo eleitoral com novas promessas de recuperar a nação que vive uma profunda crise econômica, onde se sobressai o desemprego e o crescimento da pobreza.

Juan Domingo Perón desembarca em Buenos Aires depois de 18 anos de exílio na Espanha. Sua segunda mulher, Evita, ainda é cultuada no cemitério como quase uma santa. Nenhum dos candidatos faz sombra ao seu apelo e prestígio popular. Perón é eleito, pela terceira vez, presidente da República Argentina, em 1973.

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SOBRE O AUTOR

Heródoto Barbeiro

Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal da Record News’. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

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