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Bolsonaro X jornalistas: ação ajuizada e nota de repúdio

jair bolsonaro x jornalistas
Jair Bolsonaro: alvo de ações de entidades relacionadas à imprensa | Imagem: Reprodução

Presidente da República tornou-se alvo de sindicato e de associação da área

No Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril, duas entidades relacionadas à comunicação social se movimentaram contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na data, o mandatário do país tornou-se alvo de ação civil pública e foi personagem de nota de repúdio por causa de sua postura diante de profissionais da imprensa no decorrer dos últimos anos.

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Para Bolsonaro, a quarta-feira começou com o registro de processo movido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). De acordo com a entidade, foi necessário se recorrer ao poder Judiciário por causa de inúmeros ataques verbais protagonizados pelo político contra empresas e profissionais da categoria. O pedido da ação ajuizada é a de que o presidente da República pare de se manifestar contra agentes da mídia.

“[Prejudica a] efetividade da liberdade de imprensa”

“A postura hostil e ofensiva do presidente Bolsonaro em relação aos profissionais da imprensa, além de notória, resta comprovada pela farta documentação colacionada no processo, caracterizando-se numa prática de assédio moral sistemático em face da categoria”, afirma o advogado e coordenador jurídico do SJSP, Raphael Maia. “[Prejudica a] efetividade da liberdade de imprensa e de informação da sociedade brasileira”, analisa o representante do sindicato, informa a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O processo movido pelo sindicato contra o chefe de Estado brasileiro cita episódios em que jornalistas foram agredidos, hostilizados e ameaçados. É o caso, por exemplo, do repórter Renato Peters, da TV Globo. Durante uma participação ao vivo, ele foi empurrado e teve o microfone tomado por uma mulher. “A Globo é um lixo, o Bolsonaro tem razão”, afirmou a manifestante bolsonarista na ocasião.

A ação chama a atenção ainda para ofensas proferidas pelo presidente contra mulheres jornalistas. O documento entregue à Justiça menciona, entre outras profissionais, acontecimentos relacionados a figuras como Bianca Santana (UOL), Thaís Oyama (UOL e TV Cultura), Vera Magalhães (O Globo e CBN) e Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo).

A ação ajuizada pelo SJSP pede R$ 100 mil a título de indenização. A direção do sindicato já anunciou que, em caso de vitória nos tribunais, o valor será integralmente direcionado ao Instituto Vladimir Herzog — entidade sem fins lucrativos sediada em São Paulo e que ostenta o nome do jornalista que foi torturado e assassinado pela ditadura militar.

Nota de repúdio

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo não foi o único a se movimentar contra Bolsonaro em pleno Dia do Jornalista. Na mesma data, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nota de repúdio contra o histórico de atitudes tomadas por Bolsonaro em desfavor de comunicadores. Para isso, palavras não foram poupadas.

“A escalada de violência contra órgãos da imprensa continuam crescendo. Ontem [no caso, terça-feira, 6], tivemos a invasão de uma rádio em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste Pernambucano, por um bando armado que dizia discordar de críticas ao presidente Jair Bolsonaro”, contextualizou o presidente da ABI, Paulo Jerônimo de Sousa.

“Será acusado de cumplicidade”

“É preciso dar um basta nesse comportamento criminoso. A democracia pressupõe o direito de crítica e é obrigação das autoridades a garantia do exercício desse direito. É preciso que Bolsonaro não só pare de estimular as violências contra jornalistas, como as condene de forma explícita. Caso contrário, será acusado de cumplicidade”, observou o representante da centenária associação.

Criticado por entidades, mas em jantar com empresário de mídia

Alvo de ação judicial e nota de repúdio, Jair Bolsonaro participou de jantar com empresários, em São Paulo, durante o Dia do Jornalista. Entre os presentes esteve, conforme informado por Afonso Marangoni no site da Revista Oeste, o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin. Além de comandar a construtora, Menin é, desde a semana retrasada, o único acionista da CNN Brasil.

Segundo o portal da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte (MG), o dono da Novus Mídia, empresa responsável pelo licenciamento da marca CNN no país, pareceu aprovar o teor do bate-papo feito durante o jantar com Bolsonaro. “Foi uma conversa boa, eu gostei, me deu tranquilidade”, teria dito Rubens Menin. “Foi uma conversa de alinhamento, não de confusão”, pontuou o empresário.

Presidente do Senado firma compromisso em defesa da liberdade de imprensa

Enquanto Bolsonaro entrou novamente na mira de organizações voltadas à imprensa, o chefe do Legislativo federal sinalizou apoio à classe. Em reunião virtual realizada na noite de ontem, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), comprometeu-se em favor da liberdade de expressão no país e a trabalhar em prol de ações que visem dar maior segurança a jornalistas espalhados pelo Brasil.

Conforme indicado pela Fenaj, Pacheco afirmou que atuará para:

  1. Garantir que todos os projetos de lei que tenham impacto sobre o acesso à informação, o trabalho jornalístico e a liberdade de imprensa sejam amplamente debatidos com a sociedade civil, organizações de liberdade de imprensa, jornalistas e especialistas nos respectivos temas;
  2. Garantir a posse dos/das conselheiros/as do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e o seu pleno funcionamento, ainda que de forma remota, para que os projetos de lei que tratam dos temas da comunicação sejam apreciados pelo referido Conselho, antes de serem submetidos à votação final;
  3. Garantir a lisura dos procedimentos legislativos internos na apreciação de projetos de lei, bem como a transparência e a devida divulgação das informações em tempo adequado para a garantia de análise técnica e debate externo com a sociedade;
  4. Garantir que qualquer projeto de lei aprovado estará alinhado com os compromissos assumidos pelo Brasil internacionalmente em relação ao direito de acesso à informação e à liberdade de imprensa;
  5. Garantir que qualquer projeto de lei aprovado estará alinhado com as garantias constitucionais que vedam a censura e protegem a liberdade de imprensa e o direito à informação, respeitará as normas internacionais e será um instrumento de fortalecimento da democracia e dos direitos humanos;
  6. Adotar um discurso público que contribua para prevenir a violência contra comunicadores e para a construção de um ambiente favorável para o livre exercício do jornalismo e da liberdade de expressão;
  7. Condenar de forma pública, inequívoca e sistemática qualquer forma de violência contra comunicadores e encorajar as autoridades competentes a agir com a devida diligência e rapidez na investigação dos fatos e na punição dos responsáveis.

Além de representantes da Fenaj, a reunião com Rodrigo Pacheco contou com integrantes de outras sete entidades voltadas a agentes da mídia: Artigo 19, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), Conectas Direitos Humanos, Instituto Vladimir Herzog, Intervozes e Repórteres sem Fronteiras (RSF).

rodrigo pacheco - presidente do senado
Rodrigo Pacheco (DEM-MG) é o presidente do Senado Federal | Imagem: Agência Senado

SOBRE O AUTOR

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Anderson Scardoelli

Jornalista, 31 anos. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupa atualmente.

8 Comentários

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  • Pra ser sincero está enojando assistir tv ou ler matérias do jornalismo brasileiro. A gente percebe e tá na cara a distorção e um sutil montagem de cenas para tentar derrubar o presidente. Essa farsa ajusta meu pensamento também contra algumas mídias.

  • Ultimamente o jornalismo brasileiro é um grande Bordel! Perderam a credibilidade em troca de dinheiro, vai ser difícil recuperar!

  • Esse pessoal não faz mais jornalismo .A missão é trazer seus apaniguados de volta ao poder. O vale-tudo foi “institucionalizado” nas redações compañeras. O “você me paga eu não te bato” continua valendo e vigorando.
    Em tempo 😮 meu registro de jornalista data de 1978

  • A liberdade de imprensa é um valor que não pode ser negociado nem transigido. É condição básica para o exercício do bom jornalismo.
    Há pessoas que confundem jornalismo com partidarismo. Na época em que o Lula era presidente, o PT atacava a imprensa – temos várias e várias lembranças disso – porque dizia que os jornalistas estavam a serviço da elite, etc. Agora, quando a extrema direita está no poder, é o contrário – os bolsonaristas dizem que a mídia está a favor da esquerda, blá blá blá… chega a ser hilário. Isso demonstra o papel da imprensa, que não existe para agradar ou se alinhar a nenhum governo de plantão, seja de que matiz for, e sim para exercer seu papel crítico e vigilante. Acho graça ver comentários aqui dizendo que a imprensa não é mais a mesma só porque critica Bolsonaro, que diga-se de passagem tem muitos motivos para ser criticado, pois transformou o Brasil numa vergonha mundial e num caos. Assim como Lula também teve muitas posturas ruins. Mas esse é o dever do jornalista – vigiar, denunciar e criticar quando necessário, dentro dos limites democráticos.

  • A imprensa poderia ser uma grande promotora de desenvolvimento economico, além de formação moral e técnica em todas as áreas. Mas tem se tornado numa ferramenta do mal, e vem piorando ano a ano. Hoje é um braço a serviço de forças poderosas que estão destruindo a humanidade.
    Reivindicam liberdade de imprensa. Para quê? Para agirem como mercenários contra o bem estar da população em geral?
    Com a desculpa de manter a população informada, desinformam distorcendo fatos, usando palavras fora do contexto para criar narrativas distorcidas.
    Minha opinião pessoal: 98% da imprensa se tornou a escória da pior espécie nos últimos anos. Atuei na área, me afastei por não aceitar “cabesto” ou fazer serviço sujo. Antigamente, coronéis usavam pistoleiros de aluguel, hoje usam a imprensa.
    Por mim, acabaria com essa imprensa calhorda e todas as universidades de “comunicação social” e recomeçaria do zero, com uma imprensa baseada na moral e na ética.

  • Eu na qualidade de jornalista, idealizador e CEO da maior revista de fomento à comunicação e empreendedorismo feminino do Mundo acredito que o jornalismo brasileiro passou dos limites com a mediocridade e imparcialidade (focada em derrubar) o presidente, simplesmente porque ele é mais sincero, honesto e inteligente que muitos jornalistas vendidos – jornalistas papagaios de piratas, repetem sempre a mesma frase – fascista, negacionistas, antidemocrático e assim vai. Bando de imbecil e pau mandado de quem os pagam. Sinto nojo do jornalismo televisivo no Brasil . Salvo raríssimas exceções! Sejam éticos e morais e parem de encher o saco do presidente e falem o que o povo precisa realmente ouvir e não o que os donos de veículos de comunicação querem e acham que o povo quer ouvir, ler e ver. País sério só se constrói com verdades e não com manipulação de massas por jornalistas medíocres.

  • Vê-se por todos os comentários aqui, que a maioria absoluta das pessoas de bom senso e de raciocínio, que já se foi a época em que a imprensa exercia seu papel informativo totalmente imparcial… Porém, bastou a esquerda chegar ao poder e 90% desta imprensa se fartou de patrocínios escusos, de um partido comunista socialista, tapando-lhe a bocarra com dinheiro público, para que se tornasse omissa e conivente com toda a roubalheira promovida por tal partido e seus aliados… E assim, ao ser desmamada por um presidente honesto e que pensa apenas no país e seu povo, para que ela começasse a mostrar sua face corrompida… O Partido corruptor e a imprensa corrompida! Fato! Portanto, pouco há de se comemorar no Dia 07… Poucos jornalistas podem ser de fato homenageados em seu dia, tão destruído por uma imprensa vermelha, a desserviço da boa e verdadeira informação! As salas no horário dos telejornalismos, tem sido esvaziadas, canais sendo trªocados por qualquer outros com entretenimentos, pois já todos nós já sabemos que nada de produtivo e de real informação estará sendo dito nestes jornais de 5ª categoria… Notícias falsas, frases e pelavras tiradas de contexto e tudo apenas para manipularem a opinião pública e denegrirem a imagem daquele que finalmente foi escolhido conscientemente por mais de 57 milhões de brasileiros, que vem acabando com a corrupção em todos os setores da política, na cultura e aonde quer que ela esteja enraizada… Notícias falsas a respeito da pandemia, informações inúmeras e repetidamente alteradas e falsa a respeito das mortes, ajudando aos políticos de esquerda a politizar ao vírus, afim apenas de derrubarem ao governo… Intensamente desacreditando do Tratamento Precoce e promovendo apoio ao famigerado Lockdow…Querem de fato quebrar ao país, sem se importarem de forma alguma com a vida das pessoas… Crédito algum esta maioria da imprensa vermelha merece…A não ser o desprezo da população de bem, honesta e que paga seus salários…