OPINIÃO

Finalmente, Record e Band investem em noticiários locais

Laura Ferreira e Joel Datena - bancada do ‘Bora SP’ - telejornal multimídia da Band - record tv - análise de caio figueiredo
Os apresentadores na bancada do novo telejornal da Band (Imagem: divulgação/Band)

Com ‘SP no Ar’ e ‘Bora SP’, Record TV e Band passam a concorrer diretamente com a Globo e sem ‘Bom Dia SP’. Leitor-articulista do Portal Comunique-se, o jornalista Caio Figueiredo analisa o investimento em telejornais locais

Não é deste ano que a TV Globo dá importância ao jornalismo local em suas emissoras próprias que geram conteúdo nacional (as praças de São Paulo e Rio de Janeiro) diferente das demais redes que nunca deram muita importância nesse tipo de conteúdo jornalístico. Sempre se viu na Record TV e na Band os programas ‘Cidade Alerta’ e ‘Brasil Urgente’, respectivamente, uma abertura para os jornais locais fora de São Paulo e na capital paulista seguia-se os policialescos normalmente no fim de tarde e, na hora do almoço, antigamente, ou era televendas ou igrejas; o que acontece até hoje na Rede TV.

Na emissora da Barra Funda, como na do Morumbi, há historicamente uma promiscuidade entre assuntos locais da cidade de São Paulo com assuntos de interesse nacional em seus telejornais em especial nos apontados no parágrafo anterior.

Ao que parece, a dança das cadeiras provocadas pela chegada da CNN fez com que esse dogma de “O que acontece em São Paulo, interessa ao Brasil” começasse a mudar. Nota: concordo com a frase no sentido macro, principalmente na economia, mas não venha com essa de que um buraco na rua em Sapopemba tenha alguma relevância para quem mora em Rondônia porque não cola mais; interessa e muito a quem mora em São Paulo.

“Não venha com essa de que um buraco na rua em Sapopemba tenha alguma relevância para quem mora em Rondônia porque não cola mais”

Desenhado esse preambulo, chego na análise dos dois telejornais locais mais novos: ‘SP no Ar’, da Record TV, que estreou sua versão atual em março; e ‘Bora SP’, da Band, que entrou no ar esta semana, tendo como concorrente mais velho o ‘Bom Dia São Paulo’, que está no ar desde 1977.

A proposta dos dois jornais mais novos nasce muito boa, mas pecam na execução. André Azeredo no seu ‘SP no Ar’ passa a imagem de estar com grades a sua volta, como se ele estivesse desconfortável, diferentemente daquele moço que ganhou a simpatia do público do ‘Bom Dia São Paulo’ ao conversar com as pessoas nas ruas. Sem contar que ele e a jornalista Salcy Lima ainda se desencontram muito na apresentação do jornal, como se não tivesse um espelho a ser seguido.

Embora se tenha infinitamente menos jornalismo mundo cão no jornal de André e Salcy, ainda temos muitas matérias policiais num jornal que deveria ser mais leve e de mais prestação de serviço. Pode ser um problema não do produto jornalístico ‘SP no Ar’, mas da casa. A Record TV tem paixão por sangue, o que pode estar contaminando o jornal.

“A proposta dos dois jornais mais novos nasce muito boa, mas pecam na execução”

Na segunda-feira, 5, a Band fez o convite: ‘Bora SP’. Tirando o nervosismo da Laura Ferreira e do Joel Datena, o formato do produto me agradou mais do que o concorrente da Record TV. Tem menos sangue, mais pautas de interesse comum, um formato mais informal, mais falado do que lido, com foco maior nos problemas da cidade de São Paulo e região metropolitana do que no crime.

Acredito que o Joel e a Laura vão se acertar com o tempo. Vai dar uma química profissional boa entre os dois, diferentemente do casal de apresentadores da Record TV, que parece não se conhecer ao longo do jornal.

O ‘Bom Dia São Paulo’ ganhou dois concorrentes importantes, que tem muito espaço para crescer. Porém, falta gente para pensar em pautas frias, sair do sangue, do crime e ir mostrar os problemas estruturais da cidade, seus eventos, seus lugares inusitados, enfim. Há o que mostrar e o que vê em São Paulo além de poças de sangue e corpos estirados. E é imprescindível que se tenha profissionais com esse olhar por trás das câmeras se não, nada feito.

“Falta gente para pensar em pautas frias, sair do sangue, do crime e ir mostrar os problemas estruturais da cidade”

Não sei se a Record TV acertou o tempo ao tirar o André Azeredo da rua e colocá-lo no estúdio. Será que não seria o caso de fazer edições especiais do jornal com o André fora do estúdio em pontos diferente estado? Acredito que daria um novo gás para ele e para o jornal.

Na volta para o estúdio, que tal um espelho mais estruturado com poucas pautas móveis por causa da audiência rotativa? Talvez a Salcy fique mais segura em receber e passar o comando para o André, dando menos bateção de cabeça entre os dois.

Rodrigo Bocardi e Glória Vanique, na Globo, já estão juntos e misturados, não causando mais estranhamento no público quando um ou o outro se ausenta, mas esquecem de mostrar mais o interior do estado. Falta mais TV Tem, EPTV, TV Diário, TV Tribuna e as esquecidas TV Vanguarda e TV Fronteira durante o tempo que o jornal vai para todo o estado.

Para a Laura, Joel e toda equipe do ‘Bora SP’, boa sorte e nos surpreenda com um produto diferente.

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Por Caio Figueiredo. Jornalista formado pela Universidade Nove de Julho (Uninove), tem experiência em monitoramento de redes sociais e serviços cognitivos em inteligência artificial.

SOBRE O AUTOR

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