JORNALISMO

Jornalistas no Brasil: rotina de assédio sexual e discriminação

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O relatório “Mulheres no Jornalismo Brasileiro” mostra que 70% das jornalistas já receberam cantadas que as deixaram desconfortáveis

Nesta semana, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o site de jornalismo Gênero e Número revelaram os resultados do estudo “Mulheres no Jornalismo Brasileiro”. O levantamento inédito ouviu mais de 500 jornalistas e jogou luz sobre o ambiente de trabalho nas redações brasileiras, onde práticas sexistas são naturalizadas.

De acordo com os dados, 86% das entrevistadas afirmaram já ter passado por pelo menos uma situação de discriminação de gênero no trabalho, 70% tiveram conhecimento do assédio a uma colega, 83% relataram já ter sofrido violência psicológica, 73% já escutaram comentários de natureza sexual, 92% ouviram piadas machistas, 70% já receberam cantadas no exercício da profissão, 75% já ouviram comentários desconfortáveis sobre suas roupas ou aparência, 32% foram tocadas sem consentimento e 17% alegam que foram agredidas fisicamente. Além disso, 46% das empresas não possuem canais para receber e responder as denúncias de assédio e discriminação de gênero.

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Sobre os dados revelados no relatório, a coordenadora do estudo e cofundadora do site Gênero e Número, Natália Mazotte, disse em entrevista para o Centro Knight que o constrangimento sofrido pelas mulheres impacta severamente seu trabalho. “Vimos casos em que a mulheres citaram explicitamente não ter ido a um encontro social com uma fonte por se sentirem constrangidas. Tem todo um universo de práticas dentro e fora das redações que dificulta o trabalho das mulheres jornalistas, que hoje em dia são maioria. Se não cuidarmos disso, vamos interferir na qualidade do jornalismo como um todo”.

Presidente da Abraji, Thiago Herdy afirma o assédio de uma fonte a uma repórter é uma ameaça à liberdade de expressão e de imprensa. “Tem a mesma gravidade do caso de um repórter que leva uma pedrada de manifestante ou tiro de borracha da polícia em uma manifestação. Entendemos que o primeiro passo para lidar com o problema seria produzir um diagnóstico preciso deste quadro”.

O levantamento entrevistou 477 jornalistas de 277 veículos por meio de formulário na internet. Além disso, outras 42 mulheres participaram de mesas de discussão em Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e São Paulo. Para ver o relatório completo, acesse este link.

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