OPINIÃO

O WhatsApp e as eleições 2020 – por João Paulo Borges

artigo de joão paulo borges sobre whatsapp e eleições
(Imagem: Canva.com)

Como o aplicativo WhatsApp será utilizado por políticos nas corridas para prefeituras e Câmaras municipais? Articulista-parceiro do Portal Comunique-se, João Paulo Borges analisa o cenário para as eleições deste ano

Leia mais um artigo do jornalista João Paulo Borges sobre o WhatsApp e as eleições…

Um dos maiores desafios de quem concorrerá nas eleições 2020 é a comunicação. Como chegar no maior número possível de eleitores e mantê-los informados das suas propostas, bandeiras e atuação? Há algum tempo, as redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter são as plataformas que viabilizam essa aproximação, apesar do tais algoritmos e da necessidade de fazer anúncios nas duas primeiras.

Mais João Paulo Borges:

A partir das eleições de 2018, o WhatsApp ganhou ainda mais importância e teve grande impacto no resultado do pleito nacional e em várias estados. Um dos aplicativos mais populares do Brasil, utilizado por no mínimo 120 milhões de pessoas de todas as gerações, foi usado para propagar informações eleitorais e muitas notícias falsas, infelizmente. Em 2020, não será diferente.

Nas eleições deste ano, o uso do WhatsApp na comunicação política será ainda mais forte. Para colher bons resultados, porém, será preciso ter estratégias para informar, mobilizar e fidelizar cidadãos pelo aplicativo. Diferentemente da eleição passada, em que a criação de grandes grupos de apoiadores foi uma das formas para disseminar com maior velocidade as informações do candidato ou contra os adversários, na eleição deste ano colherá melhores resultados quem apostar na criação de listas de transmissão.

“Nas eleições deste ano, o uso do WhatsApp na comunicação política será ainda mais forte”. (João Paulo Borges)

Costumo dizer que as listas são o ouro do WhatsApp. Tal como a extração em uma mina, criá-la e organizá-la dá trabalho, mas o resultado compensa. O primeiro passo é fazer um planejamento de como você usará o WhatsApp na sua estratégia de comunicação para as eleições. Comece definindo qual é o seu objetivo, o seu público-alvo, a segmentação que fará e o que tipo de conteúdo enviará, com qual periodicidade.

Planejou? Então defina um número de telefone destinado exclusivamente para o canal de WhatsApp e divulgue, convidando as pessoas a salvá-lo na agenda e manifestando interesse em receber as mensagens. Esse é o processo mais importante de convencimento e conquista. Só receberá as mensagens enviadas por listas de transmissão quem salvou o contato na agenda do telefone. Não adianta sair adicionando pessoas em listas, sem que haja uma manifestação de consentimento. A mensagem não chegará!

“Não adianta sair adicionando pessoas em listas, sem que haja uma manifestação de consentimento. A mensagem não chegará!” (João Paulo Borges)

Que tal começar essa etapa por um banco de contatos de pessoas e apoiares mais próximos? Imagino que todo pré-candidato que se preze deve ter um mailing de telefone organizado das lideranças e cidadãos apoiadores. Não tem? Organize isso o quanto antes e sincronize com a agenda do telefone que será utilizado como WhatsApp oficial.

O uso do WhatsApp para se comunicar, na minha opinião, ainda é pouco explorado adequadamente. Como a criação de listas de transmissão exige um planejamento e estratégias bem definidas de captação de cadastros, a maioria das pessoas acaba criando grupos com seu público de interesse e isso é um grande erro. Além das pessoas consumirem cada vez menos informações em grupos, a estratégia pode ser um verdadeiro tiro no pé. As listas de transmissão têm um poder gigante, mas é um trabalho formiguinha, que deve ser começado com urgência. Quer colher bons resultados em 2020, comece hoje a utilizar o WhatsApp com estratégia.

SOBRE O AUTOR

avatar

João Paulo Borges

Jornalista, especialista em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), com 12 anos de experiência em assessoria de comunicação política, institucional e empresarial. Atuou em Brasília de 2007 a 2011, onde assessorou dois deputados federais. Há oito anos trabalha em Florianópolis. Em 2019, concluiu o masterclass de marketing e comunicação política ministrado pelo professor Marcelo Vitorino na ESPM.

Até janeiro de 2019, foi um dos responsáveis pela comunicação da Federação Catarinense de Municípios (Fecam). Na entidade, apresentou, planejou e operacionalizou o projeto de implantação de um canal institucional para distribuição de mensagens pelo WhatsApp -- ação pioneira entre entidades representativas. Dedica-se ao estudo da comunicação pelo WhatsApp desde 2016, publicou artigos com reflexões sobre o tema no Portal Comunique-se e prestou consultoria para implantação de mais de 10 canais oficiais e institucionais para distribuição de informações pelo mensageiro.

COMENTAR

COMENTAR