COMUNICAÇÃO

Palmeiras se revolta contra “Paulistinha”, mas se cala sobre jornalistas agredidos

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Ramoni Artico foi atingido na cabeça por um cesto de lixo (Imagem: Rede Contínua)

Presidente do Palmeiras divulga nota contra a Federação Paulista de Futebol. Dirigente, porém, ignora agressões sofridas por jornalistas em pleno Allianz Parque

Após a perda do título do Campeonato Paulista para o Corinthians, o presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, se revoltou com a Federação Paulista de Futebol (FPF). Logo após o jogo, ainda no Allianz Parque, o dirigente chamou o torneio de “paulistinha”. Um dia depois, ele vetou a participação de integrantes do time na festa do campeonato e soltou nota criticando a entidade futebolística. O “cartola”, porém, segue calado em relação ao fato de jornalistas terem sido agredidos em pleno estádio palmeirense.

Locutor esportivo e criador da web rádio Poliesportiva, Ramoni Artico foi atingido por um cesto de lixo arremessado por um torcedor vândalo que demonstrou sua ira contra o trabalho da imprensa. O objeto foi jogado contra a tribuna de imprensa do Allianz Parque ao fim do jogo em que o time palmeirense teve dupla derrota frente ao seu maior arquirrival: 1 a 0 no tempo normal e e a 2 nas penalidades. Em vídeo divulgado em seu perfil no Facebook, o jornalista Ramoni Artico disse que os torcedores mais exaltados acusavam os profissionais de comunicação de pertencerem à mídia “gambá” (termo pejorativo para se referir ao Corinthians).

Explicações sobre a agressão que minha equipe sofreu no jogo Palmeiras x Corinthians!

Publicado por Ramoni Artico em Domingo, 8 de abril de 2018

No vídeo, Ramoni Artico indica que, após consultar advogados, poderá mover ação judicial contra o Palmeiras. O processo, se ocorrer, será enquanto pessoa física, sem nenhuma relação com a marca de web rádio. Ele também informa que após o incidente, a emissora em que trabalha enviou e-mail para as três partes envolvidas diretamente pela manutenção das cabines de imprensa do Allianz Parque. Dessa forma, ele contatou a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp), a FPF e a diretoria do time alviverde. O locutor esportivo da Rádio Poliesportiva cobrou por mais segurança para os profissionais da imprensa.

Momento da agressão

A live realizada pela equipe da Rádio Poliesportiva no Facebook registrou o momento exato em que o cesto de lixo é arremessado contra a equipe:

Sobre a agressão sofrida no jogo Palmeiras x Corinthians, eis o vídeo que mostra o momento do fato.Ressalto alguns detalhes importantes:- Tinha mais de 300 jornalistas trabalhando na tribuna de imprensa Osmar Santos. – Somente seis seguranças faziam a "proteção" do local. Três de cada lado da tribuna. Todos eles terceirizados.- Esses profissionais foram orientados (interpretação particular) para apartar possíveis choques ocasionados pela torcida com a imprensa, e não remediar qualquer problema do gênero, já no seu nascedouro – observem que antes de jogar o cesto de lixo, alguns cidadãos já demonstravam sua exaltação de outras formas, como agressões verbais, cuspes e ameaças nocivas de invasão do espaço destinado a imprensa. – Não existia a presença de policiais militares fazendo, sequer, uma ronda na localidade destinada para os jornalistas.- O ato da agressão não foi realizado com foco nos profissionais da Rádio Poliesportiva, e sim, generalizado para a imprensa como um todo, tendo como prova cabal os gritos de "Imprensa Gambá" – fazendo uma possível alusão da ligação de todos do meio ao Corinthians – realizado por um número considerável de torcedores que saiam ao lado de nosso espaço de transmissão, logo após a consumação do titulo Corintiano na cobrança de pênaltis. Se tivesse qualquer outra equipe de rádio em nosso lugar, sofreria a mesma atitude selvagem que sofremos. Por nosso espaço de transmissão ser o mais próximo a arquibancada, nós fomos os vitimados.- Em relatos colhidos no próprio estádio, outros profissionais sofreram agressões e ameaças, principalmente os repórteres de campo.- Sociedade Esportiva Palmeiras, Federação Paulista de Futebol, e Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, até o presente momento, não se pronunciaram sobre o ocorrido.A atitude da Rádio Poliesportiva:- O corpo diretivo da Rádio encaminhou um comunicado para a Sociedade Esportiva Palmeiras, Federação Paulista de Futebol e Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo exigindo explicações sobre o ocorrido e ações efetivas visando a melhoria da segurança para os profissionais de imprensa já no jogo do dia 11 de Abril, entre Palmeiras versus Boca Juniors. Assim que obtivermos retorno, comunicaremos o que foi passado.A minha atitude sobre o caso:- Até o presente momento, conversei com alguns advogados e pessoas ligadas ao meio jurídico e estudo abrir um processo contra os responsáveis por esse ato, tanto o torcedor, quanto as entidades responsáveis pela organização e segurança do evento. Durante essa semana, devo procurar outros profissionais da área para sedimentar essa ação.- Quarta-Feira, 11 de Abril, estou convocado para transmitir Palmeiras x Boca Juniors, em jogo válido pela terceira rodada da fase de grupos da Taça Libertadores da América. Não só narrarei esse jogo, como executarei minha função no mesmo lugar que fui alvejado pela cesta de lixo na final do Paulistão 2018. Lembrando que esse jogo também será filmado.Não tenho medo de ninguém! Sou Jornalista diplomado e, honrando a profissão que amo, seguirei firme e em frente, trazendo a máxima emoção com qualidade, interação e respeito pelos meus ouvintes e espectadores. Para quem já cobriu reintegração de posse, greve, e quase morreu de câncer aos 22 anos de idade, não será uma cesta de lixo que parará minha carreira.Agradeço ao carinho de todos. Fico a disposição para esclarecimentos e outras posições sobre o caso.Sigamos em frente, felizes e cantarolantes, enchendo a mente de sabedoria, a alma de esperança e o coração de felicidade!Ramoni dos Santos Artico Indaiatuba, 09 de Abril de 2018.

Publicado por Ramoni Artico em Domingo, 8 de abril de 2018

Caso “repugnante”

Diferentemente do presidente do Palmeiras, que diz romper com a FPF, os comandantes da Aceesp se posicionaram em defesa de Ramoni Artico e de outros comunicadores agredidos após a final do Paulistão deste ano. Em nota assinada pelo presidente Erick Castelhero e pelo vice-presidente Mauricio Noriega, a entidade repudiou os atos hostis. “É repugnante que, no exercício da sua profissão, o jornalista seja agredido e desrespeitado”, afirma trecho da do texto chancelado pela associação.

Os dirigentes da Aceesp foram além de se posicionar – de forma textual – em favor dos jornalistas agredidos no Allianz Parque. Os líderes informam que os representantes de Palmeiras e FPF foram acionados. A entidade ressalta que cobrou a identificação dos agressores. Além disso, pontuou que é preciso que os cronistas esportivos estejam seguros durante as transmissões realizadas diretamente do estádio de futebol.

Além de Ramoni Artico, outros jornalistas reclamaram da ira de parte dos torcedores do Palmeiras. É o que informa o Estadão. De acordo com o site, repórteres afirmaram que foram xingados e alvos de cusparadas. Até o momento, porém, a diretoria palmeirense prefere ignorar as agressões e somente dizer que a relação com a Federação Paulista de Futebol está rompida – apesar de a participação do time no campeonato do próximo ano estar assegurado.

SOBRE O AUTOR

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Anderson Scardoelli

Orelhudo, observador e contador de histórias. Não necessariamente nessa ordem. De sua querida Estância Turística de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para o mundo. Graduado em jornalismo pela Uninove e com especialização em jornalismo digital pela ESPM, mas gosta mesmo de dizer que foi formado pelo Comunique-se. Trabalha na empresa há mais de 10 anos, indo de estagiário de pesquisa a editor sênior. No meio do caminho, foi estagiário de redação, trainee, subeditor, editor júnior e editor pleno. Gosta de escrever e de falar sobre (adivinhem?) jornalismo!

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