OPINIÃO

Parcialidade é a nova tendência do jornalismo esportivo

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(Imagem: divulgação)

“Como jornalista esportiva, sempre fui proibida pelas emissoras onde trabalhei de transparecer para que time eu torcida, o que eu acho uma bobagem”. É o que relata Aline Bordalo. Botafoguense, ela tem ativo projeto parcial na internet

Confira, abaixo, o artigo de Aline Bordalo para o Portal Comunique-se. Jornalista e torcedora do Botafogo, ele escreve sobre a parcialidade no jornalismo esportivo.

Quantas e quantas vezes você xingou um narrador que estava narrando um jogo do seu time por achar que ele estava torcendo para o adversário? E o comentarista, por perceber que os comentários a favor do outro time estavam exagerados? Inúmeras, imagino. Comigo aconteceu e acontece sempre.

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Mas alguns clubes estão criando uma nova tendência nas transmissões esportivas, e ganhando bastante visibilidade. No Rio de Janeiro, Flamengo e Vasco são os pioneiros. A Fla TV tem transmitido seus jogos com uma equipe totalmente rubro-negra – narrador, comentarista e repórter. O sucesso tem sido enorme, mais de um milhão de torcedores assistem às transmissões, que duram em média quatro horas. E olha que o clube (ainda) não tem nem direito de imagem. Ou seja, transmite o áudio com a câmera virada para os profissionais na cabine.

Outro golaço é o fato deles entrarem no ar bem antes da bola rolar e só saírem após as coletivas. Tudo o que o torcedor quer é saber as notícias do seu time antes da partida, quem joga, quem está machucado, o que o treinador falou. Ainda mais se as informações vêm de uma forma “parcial”, com o narrador podendo lamentar a perda de alguma peça importante.

“No Rio de Janeiro, Flamengo e Vasco são os pioneiros. A Fla TV tem transmitido seus jogos com uma equipe totalmente rubro-negra” (Aline Bordalo)

O Vasco embarcou num projeto similar e também tem marcado golaços. O narrador passa toda a emoção na hora do gol e toda a decepção quando é o adversário quem marca. Quer identificação maior que essa?

O Fluminense tende a seguir o mesmo caminho, inclusive já fez uma experiência no último Fla x Flu, conseguindo a audiência de quase noventa mil tricolores.

Como jornalista esportiva, sempre fui proibida pelas emissoras onde trabalhei de transparecer para que time eu torcida, o que eu acho uma bobagem. Ora, se a gente escolheu trabalhar com futebol é porque ama futebol e torce por um time. O telespectador não é bobo, sabe disso. Aproveitando esta nova onda, decidi criar meu próprio canal no YouTube – Botafogo Nela. Pela primeira vez na minha carreira posso falar como torcedora – xingar, comentar, dar minha opinião, sem repreensão, sem censura. Que sonho!

“Pela primeira vez na minha carreira posso falar como torcedora – xingar, comentar, dar minha opinião, sem repreensão, sem censura. Que sonho!” (Aline Bordalo)

O torcedor está cansado de hipocrisia, de jornalista fazendo média, ele quer profissionais que literalmente vestem a camisa do seu time, quer parcialidade! Viva a nova tendência! E viva o Botafogo!

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Por Aline Bordalo. Repórter, jornalista esportiva e escritora. Também youtuber, com o canal Botafogo Nela. Profissional de imprensa há mais de 20 anos. Além da crônica esportiva, também já lidou com as chamadas pautas gerais. Ao lado do marido, o também comunicador Alexandre Araújo, escreveu o livro infantil Onde a Coruja Dorme e Outras Histórias.

SOBRE O AUTOR

Leitor-Articulista

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