COMUNICAÇÃO

Projeto reúne guias e informações sobre privacidade para jornalistas

privacidade jornalistas
(Imagem: Pixabay)

Além da análise de ameaças, o Privacidade para Jornalistas compila links úteis e uma série de guias para proteger as informações e as fontes

Ajudar repórteres brasileiros a proteger suas fontes de coleta e retenção de metadados, vigilância e hacking é o principal objetivo do site Privacidade para Jornalistas. Baseado no Privacy For Journalists, lançado em 2016 pela CryptoAUSTRALIA, o projeto é guiado por Raphael Hernandes, repórter da Folha de S.Paulo.

O interesse do jornalista pela privacidade na rede se fortaleceu em maio de 2016, quando ele trabalhou como voluntário na CryptoRave — evento que integra o movimento global CryptoParty, sobre segurança, criptografia e privacidade na rede. “Sempre me interessei pelo assunto, mas nunca havia tido um contato tão próximo. Me assustei um pouco com o que vi e fiquei pensando no quanto jornalistas estão expostos a isso e pensei que poderia prestar algum serviço nesse sentido”, diz.

Segundo Hernandes, o foco do projeto está essencialmente na conscientização. “Ninguém está aqui para convencer jornalista a sair por aí com papel alumínio na cabeça, mas é importante ter ciência dos riscos que existem por aí”, aponta. Aberta a colaborações, a iniciativa objetiva criar uma comunidade em volta do tema, “para disseminar noções de segurança e a importância disso”, explica Hernandes.

Análise de ameaças e guias

Uma das seções do projeto consiste em uma análise de ameaças, com exemplos de cenários e sugestões de como agir em cada caso, com ferramentas para aumentar a segurança e a privacidade das informações. “Há situações em que o simples fato de sua fonte ter conversado contigo pode comprometê-la, outras em que simplesmente esconder o conteúdo da conversa é o suficiente. Na prática, não existe um método universal”, aponta o jornalista.

Para decidir qual procedimento adotar, Hernandes aponta quatro perguntas centrais: O que você não quer que os outros saibam? Por que alguém iria querer saber isso? Quem? Como essa pessoa poderia conseguir essa informação? O que acontece se ela descobrir? “[Essas perguntas] são importantes para acharmos um meio termo e não cairmos em paranoia, nem sermos displicentes”, explica.

Além da análise de ameaças, o Privacidade para Jornalistas compila links úteis e uma série de guias para proteger as informações e as fontes. São ferramentas que vão desde proteção de e-mails e troca de arquivos, até navegação segura, segurança de operações e chats encriptados.

Para Hernandes, os cuidados adotados fora do ambiente digital devem ser tomados também dentro dele. “A gente vê jornalista marcando de encontrar fonte em lugar público para receber malote e ninguém desconfiar, mas depois manda WhatsApp pra pessoa e já era o anonimato da fonte. Temos o dever de garantir o sigilo de fonte [fora e dentro da rede]”, aponta.

Colaborações

O Privacidade para Jornalistas é uma plataforma colaborativa, e aceita contribuições de toda a comunidade relacionada ao tema, desde jornalistas ou especialistas em segurança, até curiosos no assunto. É possível contribuir através do GitHub ou enviando um e-mail para contato@privacidadeparajornalistas.org.

SOBRE O AUTOR

Abraji

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Criada em 2002 por um grupo de jornalistas brasileiros interessados em trocar experiências, informações e dicas sobre reportagem, principalmente sobre reportagens investigativas. É mantida pelos próprios jornalistas e não tem fins lucrativos.

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