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Apresentador do ‘JN’ pede demissão e lista série de irregularidades em emissora

‘JN’ - ‘Jornal Nacional’ - logo - rede globo - nsc - homenagem a Mário Motta - Santa Catarina - Matheus Ribeiro - TV Anhanguera
(Imagem: divulgação/Rede Globo)

Matheus Ribeiro, da TV Anhanguera, vinha sendo o representante de Goiás no rodízio de âncoras do ‘Jornal Nacional’

Ao pedir demissão da emissora, o apresentador eventual do ‘JN’ fala em perseguição e cita supostas irregularidades

“Tchau, obrigado”. Os telespectadores da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás, ouviram essa mensagem pela última vez na noite de terça-feira, 7. O bordão característico de Matheus Ribeiro, titular do ‘Jornal da Anhanguera – 2ª Edição’, não irá mais ao ar. Isso porque o apresentador, que vinha sendo aproveitado até no ‘JN’, pediu demissão da emissora. Ação feita por e-mail. Perdendo o status de eventual âncora do ‘Jornal Nacional’, ele listou o que seria uma série de irregularidades cometida pelo canal.

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Na mensagem enviada à diretora de redação da TV Anhanguera, Brenda Freitas, Matheus Ribeiro aponta que estaria sofrendo perseguição profissional na emissora. “A forma como venho sendo tratado aqui, as restrições que venho sofrendo, as ilegalidades que foram cometidas e o tratamento incompatível à minha entrega como âncora do principal jornal da casa me obrigam a tomar essa decisão”, escreveu o comunicador que estreou na bancada do ‘JN’ em novembro de 2019. E já estava escalado para outras participações no ‘Jornal Nacional’.

O e-mail que selou a decisão do jornalista em se desligar da afiliada goiana da Rede Globo foi enviado na quarta-feira, 8. Informação dada em primeira mão por Leo Dias no UOL. No dia, Matheus Ribeiro já não comandou o ‘Jornal da Anhanguera – 2ª Edição’. Foi substituído por Lilian Lynch. Além de confirmar a saída do canal, o agora ex-apresentador do ‘JN’ listou o que, segundo acusa, seria ondas de irregularidades e pressões cometidas diretamente pela empresa de comunicação contra ele. O profissional, que ganhou projeção nacional com o ‘Jornal Nacional’, fala de salário a postagens nas redes sociais.

matheus ribeiro - jornal nacional - ‘JN’ - globo - tv anhanguera - goiás
Matheus Ribeiro comandava o ‘Jornal da Anhanguera – 2ª Edição’. Ele deixa a emissora de Goiás e o ‘JN’. (Imagem: divulgação/TV Anhanguera)

Matheus Ribeiro afirma que a TV Anhanguera:

  1. Aplicou-lhe advertência por causa de uma foto publicada no Instagram;
  2. Cortou o seu salário (sem qualquer tipo de aviso prévio);
  3. Usou o controle da catraca de acesso à empresa para justificar a redução salarial;
  4. Impôs cumprimento de horas-extras num “cambalacho” contratual;
  5. Faz rotineiramente mudanças diárias nas escalas de trabalho;
  6. Paga R$ 15 mil a gente com “funções inferiores”, enquanto ele passou a receber R$ 3.900;
  7. O pressionou a deixar de atuar em sua própria empresa (Matheus Ribeiro é dono de uma agência que vendia mídia para a TV Anhanguera);
  8. Proibiu que ele realizasse live pelas redes sociais;
  9. Mantinha ativo o contrato de repórter, apesar de ele ter se tornado âncora até do ‘JN’;
  10. E, de forma geral, o desrespeitava, o menosprezava e o subutilizava.

Até o momento, ninguém do comando da TV Anhanguera se pronunciou sobre o pedido de demissão feito por Matheus Ribeiro. Também ninguém da emissora falou a respeito das acusações feitas pelo apresentador que chegou à bancada do ‘JN’.

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No ‘JN’’, Matheus Ribeiro foi recepcionado por William Bonner. (Imagem: divulgação/Rede Globo)

Leia, abaixo, a íntegra do e-mail de Matheus Ribeiro:

Brenda,

Diante de todos os fatos das últimas semanas, irei solicitar a rescisão indireta do meu contrato de trabalho com a emissora.

A forma como venho sendo tratado aqui, as restrições que vêm sendo impostas, as ilegalidades que foram cometidas e o tratamento incompatível à minha entrega como âncora do principal jornal da casa me obrigam a tomar essa decisão.

Você sabe, mas não custa lembrar:

1) Há um mês, você mandou o chefe de redação aplicar uma advertência a mim por causa de uma foto com a moça com quem faço massagem, com o argumento de que isso seria “publicidade”. Além da estultice na interpretação (já que tenho dezenas de fotos com a dona Elna, nossa maquiadora, e isso nunca foi visto como divulgação alguma), a emissora parece não saber o valor de seu profissional. Eu não faria publicidade por uma massagem que custa 100 reais. Postei a foto porque é alguém que eu gosto e redes sociais servem para compartilharmos nosso dia a dia.

2) Você mandou cortar meu salário sem me avisar, após fazer pressão para cumprir uma carga-horária que, na prática, nunca existiu. Se havia horas-extras contratuais no meu salário, isso foi um cambalacho que a própria empresa arrumou para compensar o salário ínfimo que sempre me foi pago. Nem eu, nem os demais colegas do Jornalismo temos a obrigatoriedade de bater ponto, devido às mudanças diárias feitas nos nossos horários. Está documentado.

“A emissora parece não saber o valor de seu profissional”

Mesmo assim, ilegalmente, usaram o controle de acesso da catraca como argumento. Se eu mesmo disse que o caminho era cortar essas horas-extras, esperava uma postura sensata da direção, em respeito à minha dedicação e história na casa. Com colegas que exercem funções inferiores à minha e não entregam o mesmo resultado que eu entrego ganhando salários acima de 15 mil reais, a TV me pagar um salário de R$ 3.900,00 é acintoso.

3) A pressão para que eu deixasse de exercer atividades na minha empresa que sequer têm conflito ético com minha atuação jornalística. Há mais de um ano, você e demais diretores têm total ciência de que minha empresa comprava mídia para alguns clientes aqui no grupo. Considerava até que isso era bem-visto, já que informei que não havia outros veículos de comunicação nos planos de mídia desenvolvidos pela minha agência: sempre trouxe a verba de meus clientes para esta empresa, pela qual sempre tive gratidão e apreço. O pedido do Ronaldo [Ferrante] para que eu fizesse uma escolha entre o jornal e os meus contratos de mídia foi desrespeitoso, já que sempre houve conhecimento pleno das atividades que desenvolvo, algo que está documentado com contratos, e-mails, cartas de credenciamento, notas fiscais e até brindes que ganhei por ser proprietário de agência.

“A TV me pagar um salário de R$ 3.900,00 é acintoso”

4) Por fim, mas não menos lastimável, esse cabresto ridículo que a direção deseja impor sobre minha atuação nas redes sociais, algo que foi e é bastante explorado pela emissora para beneficiar seus produtos. Tenho o maior número de seguidores entre os nossos colegas, minhas redes superam as da própria emissora, tenho uma relação legal com o meu público, converto isso em resultados para o jornal… Me proibir de fazer uma live para conversar com meus amigos e bater papo com os seguidores beira a censura desmotivada, pelo simples prazer de exercer o poder.

Some a tudo isso problemas mais antigos, que jamais foram “lembrados” nas nossas conversas, como o fato de eu apresentar o jornal há anos e ter no meu contrato a função de repórter.

Eu cheguei aqui um menino, cru e precisando aprender. Sou muito grato pelas oportunidades que me foram dadas e creio que demonstrei isso por um bom tempo. Tenho certeza de que já retribuí tudo o que a empresa fez por mim. Só que há tempos essa relação está desigual e tóxica. Estou infeliz com este ambiente de trabalho, me sinto desrespeitado, menosprezado e subutilizado.

“Proibir de fazer uma live para conversar com meus amigos e bater papo com os seguidores beira a censura”

Gostaria, apenas, de entender qual a motivação de uma postura tão beligerante, arbitrária e exagerada em relação à mim. Fico curioso e intrigado para entender o porquê da perseguição, dessa necessidade de colocar rédeas… Alguma atitude minha gerou essa necessidade? Algo está incomodando a ponto de gerar isso tudo?

Preferências pessoais à parte, sou um profissional que cumpre suas funções e entrega resultados além do esperado. Não custa lembrar que, com o trabalho de um time extremamente competente do qual tenho orgulho de fazer, o JA2 alcançou recentemente uma das suas maiores audiências da história. Recorde que, caso não lembre, batemos outras vezes desde que comecei a apresentar.

Ouvir, como ouvi do Ronaldo, na sua frente, que tenho “um grande futuro pela frente na empresa” é incompatível com a realidade. Apresento o jornal de maior audiência de Goiás há cinco anos. O meu futuro é hoje. Para mim, a TV ficou no passado.

Atenciosamente,

Matheus Ribeiro.

SOBRE O AUTOR

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Anderson Scardoelli

Orelhudo, observador e contador de histórias. Não necessariamente nessa ordem. De sua querida Estância Turística de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para o mundo. Graduado em jornalismo pela Uninove e com especialização em jornalismo digital pela ESPM, mas gosta mesmo de dizer que foi formado pelo Comunique-se. Trabalha na empresa há mais de 10 anos, indo de estagiário de pesquisa a editor sênior. No meio do caminho, foi estagiário de redação, trainee, subeditor, editor júnior e editor pleno. Gosta de escrever e de falar sobre (adivinhem?) jornalismo!

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