OPINIÃO

CPI do ódio: todos querem aparecer na mídia – por Heródoto Barbeiro

CPI do ódio todos querem aparecer na mídia por Heródoto Barbeiro
Imagem: Reprodução/ iStock

Em seu novo artigo no Portal Comunique-se, Heródoto Barbeiro comenta sobre a CPI da Covid-19

A abertura da CPI abala as estruturas políticas de Brasília. O temor de um choque entre poderes da república não se limita ao Congresso Nacional. Há quem diga que o presidente pode ser diretamente atingido e o Supremo Tribunal Federal acionado. O foco da CPI é o desvio de verbas federais que deveriam chegar até os estados e municípios.

Segundo assessores econômicos do parlamento, milhões são desviados para os bolsos dos políticos e não chegam na ponta, principalmente para amparar os hospitais e postos de saúde que andam abarrotados de doentes, muitos atendidos nos corredores. Há casos de pessoas no chão.

As UTIs estão lotadas e falta de tudo, especialmente equipamentos mais sofisticados para entubação e tratamento de falta de ar. O escândalo percorre o Brasil e a CPI é uma possibilidade de se descobrir os ladrões do dinheiro pago pelos brasileiros ao chamado cofre público.

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CPI se sabe como começa, mas ninguém sabe como termina. Este é o principal temor das bancadas que apoiam o presidente e também a oposição. Afinal, a distribuição de verbas é gerida por parlamentares de vários partidos. Há suspeitas de que a propina tenha chegado aos bolsos de governadores, ministros, senadores e deputados. Não escapam nem mesmo alguns prefeitos e vereadores.

Enfim, todo o castelo político do país parece estar ameaçado de ruir e tudo desaguar nas próximas eleições gerais. Todos querem se reeleger e aparecer na mídia com foto e título de suspeito de corrupção não vai ajudar.

Contudo, parte da classe política conta com a despolitização do povo que se concretiza com os votos comprados pelos cabos eleitorais pendurados nos gabinetes de Brasília. As empreiteiras movimentam todo o exército de lobistas e advogados para se isentar de qualquer acusação futura, como o de conseguir grandes obras distribuindo propinas à torto e à direito.

Anões do Orçamento

Não há como barrar a instalação da CPI. Bem que alguns tentaram, acusando-a de se transformar em um palanque eleitoral, ameaçar a democracia e misturar culpados com inocentes. Mas como desmentir a delação do assessor responsável pela elaboração das emendas parlamentares que carreiam milhões para os currais eleitorais dos políticos?

A partir das denúncias do economista José Carlos Alves dos Santos, integrante da quadrilha e chefe da assessoria técnica da Comissão do Orçamento do Congresso, o Brasil toma ciência da existência da quadrilha apelidada de Anões do Orçamento, capitaneada pelo deputado João Alves.

O grupo opera com três fontes de recursos: uma delas é formada pelas propinas pagas pelos prefeitos para incluir uma obra no Orçamento ou conseguir a liberação de uma verba já prevista. A execução dessas tarefas é realizada pela Seval, uma empresa criada pelo deputado João Alves, que cobra uma “taxa” para fazer o serviço.

O deputado se defende e diz que sua polpuda conta bancária se deve ao fato de ter ganho 56 vezes na loteria. Os Anões do Orçamento são punidos, mas alguns escapam da cassação de mandatos e um deles volta ao noticiário como proprietário do bunker de Salvador onde Gedel Vieira Lima estoca no apartamento 51 milhões de reais.

SOBRE O AUTOR

Heródoto Barbeiro

Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal da Record News’. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

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