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Quais são os limites aceitáveis para a manipulação de imagens?

Quais são os limites aceitáveis para a manipulação de imagens
Imagem: Reprodução/ iStock

Cada vez mais, o mundo do entretenimento tem sido questionado sobre os impactos das imagens que transmitem ao público

Por Luciana Gurgel | Editora, MediaTalks, Londres

A possibilidade de produzir conteúdo fake empregando ferramentas tecnológicas capazes de distorcer fotos, vídeos e áudios ou até inventar personagens inexistentes não é um problema apenas para o mundo da informação. O universo do entretenimento — e as celebridades a ele ligadas — têm sido alvo de questionamentos sobre a imagem que transmitem ao público, nem sempre realistas.

Alguns têm levado até a revisões de práticas há muito estabelecidas. Um exemplo recente ocorreu com o cinema.

A organização Times’s Up, dedicada a promover a igualdade de gênero, criada por estrelas de Hollywood, lançou um pacote de diretrizes para proteger os artistas. O conjunto de guias traz recomendações sobre como agir em caso de assédio e cláusulas contratuais que devem ser incorporadas aos contratos.

Um dos itens que ganhou mais atenção foi a proposta de que não sejam mais usados os chamados “dublês digitais” para tornar cenas de sexo mais explícitas do que as imagens captadas na filmagem.

Esse foi o caso de um episódio da quinta temporada de Game of Thrones. A personagem de Lena Headey, Cersei Lannister, aparece andando nua por uma cidade. Mas ela não se despiu para a cena. A filmagem da atriz vestida foi mesclada com a de uma dublê de corpo nua na pós-produção.

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Há casos em que isso acontece sem o consentimento do artista. Mas esse não é o único problema.

Muitas vezes essa prática é usada para transmitir uma imagem irreal de corpos perfeitos, agravando o risco de desordens alimentares ou problemas de autoestima e de aceitação do próprio corpo.

As consequências para a sociedade são devastadoras, com aumento crescente de suicídio entre jovens insatisfeitos com sua aparência ou levados a isolamento social por vergonha.

Esse risco veio mais uma vez à tona com o episódio envolvendo a celebridade Khloe Kardashian, feliz proprietária de um séquito de 136 milhões seguidores no Instagram.

Polêmica com Khloe Kardashian

Khloe sempre exibiu nas redes um corpo lindo, em cenários paradisíacos e festas badaladas. Até que (no dia 5/4) ela aparece no Instagram de biquíni, com cabelo normalzinho amarrado para trás, sem biquinho e com as imperfeições do corpo visíveis.

A história gerou dois debates igualmente acalorados.

O primeiro, de ordem legal: o pedido feito pela empresa que cuida da imagem de Khloe para que a foto fosse removida das contas de pessoas e sites que a compartilharam, sob o argumento de infração de direitos autorais deveria ser acatado? A quem cabe a propriedade de uma foto postada no canal da própria celebridade?

O segundo, de ordem ética: quais os limites para o uso de fotos tão retocadas a ponto de construírem personagens irreais?

Khloe tentou se safar da controvérsia com um post contraditório. Ao mesmo tempo em que lamentou a manutenção da foto nas redes, disse que não se arrependia de ter sido vista ao natural.

Difícil acreditar. Mas se algo de bom se pode tirar disso, é o fato de proporcionar uma necessária reflexão sobre os limites aceitáveis para a manipulação de imagens.

Leia mais sobre a história de Khloe Kardashian e as reações que provocou em MediaTalks.

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