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Morando na “terrinha”, brasileiros criam agência de comunicação em Portugal

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Isabel Clemente e Sandro Rego. Jornalistas brasileiros empreendendo em Portugal. (Imagem: divulgação)

Deixar o país de origem e empreender em outro continente. Foi isso que os jornalistas brasileiros Isabel Clemente e Sandro Rego se propuseram a fazer em Portugal. Em outubro, eles deram início à agência de comunicação batizada de Priori

O que você faria se mudasse de país? Os jornalistas brasileiros Isabel Clemente e Sandro Rego tiveram a mesma certeza: empreender em terras estrangeiras. Vivendo no outro lado do Atlântico, precisamente em Portugal, a dupla fundou uma agência de comunicação. Diretamente da “terrinha”, os dois estão à frente da Priori. Com o propósito de auxiliar em questões de impacto social, a empresa está na ativa desde meados de outubro.

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Para tocar um negócio em Portugal, bagagem não falta aos dois jornalistas brasileiros. Sandro Rego vem de cargos de liderança no ambiente de comunicação corporativa. Morando na Europa há pouco mais de um ano, ele tem passagens por empresas como CSN, Bunge, Grupo Boticário, Banco Safra e foi gerente geral da FleishmanHillard no Brasil. Aos 46 anos e com especialização em gerenciamento de negócios pela Universidade de Toronto, no Canadá, busca colocar toda a bagagem construída nas últimas décadas em prol da Priori.

Sócia e cofundadora da Priori, Isabel Clemente estreia como profissional de agência de comunicação. Soma, entretanto, mais de 20 anos de trabalhos prestados para veículos de mídia. Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), passou pelas redações de Folha de S. Paulo, Época, Época Negócios e Jornal do Brasil. Foi repórter, colunista e correspondente internacional (mesmo como colaboradora, estando baseada com a família em Portugal desde 2017). Com a Priori, almeja levar a sua expertise para o “outro lado do balcão”.

Os objetivos da Priori, a vida em Portugal, as diferenças entre o jornalismo do Brasil com o que do país europeu e os desafios de empreender como donos de uma agência de comunicação na “terrinha”. Esses temas são detalhados pela dupla Isabel Clemente e Sandro Rego em entrevista exclusiva à reportagem do Portal Comunique-se.

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Agência criada por brasileiros que promover a comunicação com propósito. (Imagem: reprodução/Priori)

Confira a íntegra da entrevista:

Empreendendo na comunicação de Portugal

Como e quando surgiu a ideia de criar uma agência de comunicação em Portugal? Quais foram os processos para tirar o projeto do papel?
Sandro Rego | Surgiu após um encontro de propósitos. Ambos passamos por grandes empresas e reunimos experiências bem ricas. A Priori nasceu de forma muito natural depois de muitas conversas e desejos de fazer algo pela sociedade nessa nova fase das nossas vidas profissionais.

Isabel Clemente | Havia uma inquietude nos dois, um desejo de contribuir e fazer a diferença. Trabalhar para melhorar o que pode ser melhorado. Esse projeto nunca ficou muito tempo no papel. Entre a primeira conversa e o primeiro cliente, passaram-se pouco mais de dois meses. Eu vinha atuando como correspondente e já tinha uma rede de contatos construída. Quanto à abertura da empresa, não há burocracia para cidadãos portugueses, e tenho cidadania portuguesa.

Com as experiências de jornalistas que atuaram na imprensa e na comunicação corporativa no Brasil: quais as diferenças e semelhanças entre o mercado daqui com o da “terrinha”?
Isabel Clemente | Vou falar algo um pouco óbvio, mas a principal diferença é a escala e tudo que resulta disto. Sempre será mais complicado transmitir uma mensagem para uma sociedade tão imensa, heterogênea e desigual como a brasileira. Portugal também é um país cheio de desigualdades, mas não é algo que se compare aos nossos extremos.

“Entre a primeira conversa e o primeiro cliente, passaram-se pouco mais de dois meses”

A escala também dá mais dinamismo para a economia brasileira, e problemas igualmente grandes. É preciso ter em conta também que, apesar de falarmos a mesma língua e de termos intimidade com as pedrinhas portuguesas, culturalmente somos povos distintos. Hábitos, tradições, expectativas. Há um conjunto muito grande de fatores em torno da comunicação. São sutilezas que percebemos com o passar do tempo, não é algo que se note numa visita. Mas Brasil e Portugal são países com ligações fortíssimas e nós estamos ligados aos dois, por laços familiares, profissionais e de afeto. Há muitos interesses convergentes e podemos fomentar bons exemplos dos dois lados do Atlântico.

Nos primeiros passos, quais têm sido os desafios e as conquistas iniciais de se empreender no meio da comunicação, ainda mais em um país estrangeiro?
Sandro Rego | É uma jornada bem interessante. Os desafios são muitos e se não fosse assim não teria graça. A vantagem é justamente trazemos o olhar de fora para poder contribuir, acrescentar algo novo ao que já passa despercebido pelos que estão aqui.

Na mídia e entre empresas a se tornarem potenciais clientes: como estão sendo as conversas? Como tem sido a recepção por parte deles?
Sandro Rego | As conversas têm sido muito boas. Já fomos procurados por empresas de diferentes portes e segmentos, não só de Portugal, mas do Brasil também. As reuniões estão a acontecer. Esperamos ter novidades em breve.

“É uma jornada bem interessante. Os desafios são muitos e se não fosse assim não teria graça”

Isabel Clemente | Costumamos ouvir dos portugueses que nós, brasileiros, temos um jeito mais despachado para resolver problemas. Como se diz aqui, desenrascamo-nos com facilidade e isso costuma ser visto como um dado positivo.

Uma “agência dedicada a causas”. É assim que a Priori se posiciona no mercado, por meio de chamada no site. Na prática, como será esse trabalho? E o que a fará se diferenciar dos demais concorrentes?

Isabel Clemente | Investir em projetos de impacto social é o que há de mais atual e poderoso para o fortalecimento da imagem e reputação das organizações. Defender causas é uma estratégia altruísta e inspiradora que todos buscamos cada vez mais como consumidores, cidadãos e profissionais. São os novos tempos. Eu diria que é a parte da história das empresas e instituições que merece e precisa ser contada pois tem potencial de gerar iniciativas semelhantes, engajar e atrair a atenção de uma audiência muito maior.

Sandro Rego | As empresas precisam estar sintonizadas com as demandas da sociedade e terem voz ativa na construção de um mundo melhor. Decidimos criar a Priori para atuar nesse nicho e ajudar as empresas a considerarem a adoção de causas em suas estratégias de negócio, de forma coerente e estruturada. Todo mundo sai ganhando: a sociedade e as marcas.

SOBRE O AUTOR

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Anderson Scardoelli

Orelhudo, observador e contador de histórias. Não necessariamente nessa ordem. De sua querida Estância Turística de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para o mundo. Graduado em jornalismo pela Uninove e com especialização em jornalismo digital pela ESPM, mas gosta mesmo de dizer que foi formado pelo Comunique-se. Trabalha na empresa há mais de 10 anos, indo de estagiário de pesquisa a editor sênior. No meio do caminho, foi estagiário de redação, trainee, subeditor, editor júnior e editor pleno. Gosta de escrever e de falar sobre (adivinhem?) jornalismo!

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