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“Muito infeliz”: técnico do Inter se desculpa por ter sido machista com repórter

Horas depois de declaração machista, ao se dirigir a uma jornalista da RBS, o técnico do Inter, Guto Ferreira, pediu desculpas por ter sido “muito infeliz”

O Internacional venceu o Luverdense por 1 a 0 na noite dessa terça-feira, 18, em Porto Alegre. Apesar da vitória, o time não teve muito o que comemorar. Além de seguir fora do grupo de acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o clube se viu envolvido em episódio de machismo. Em entrevista coletiva após o fim da partida, o técnico do Inter, Guto Ferreira, se recusou a responder uma pergunta feita pela repórter Kelly Costa, da RBS TV, afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul. O treinador fez questão de expor que ignoraria o questionamento pelo simples fato de ter sido feito por uma mulher.

Como qualquer jornalista – homem ou mulher – que acompanha o dia a dia de clubes de futebol e cobre in loco partidas dos mais diversos campeonatos, Kelly usou o seu momento na coletiva realizada no estádio Beira-Rio para saber do comandante do Internacional o que acontece com a pontaria do time gaúcho. Assunto mais do que pertinente, pois o “Colorado” tem apenas o sétimo melhor ataque da Série B, com 17 gols marcados em 14 jogos. Para Guto Ferreira, porém, o tema não pareceu interessante – ainda mais partindo de uma repórter.

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“Não vou te responder com uma pergunta porque você é mulher e talvez não tenha jogado (futebol). Mas todo jogador que joga, tem dificuldades de ter uma tensão a mais no lance final. Precisa acertar para ter confiança. Se você já jogou para perceber isso, mas de repente trouxe a resposta mais para a situação de canalizar nesta forma”, disse o técnico do Sport Club Internacional ao se dirigir à jornalista. A postura pegou mal, repercutindo negativamente nas redes sociais e em veículos da imprensa. Sites como Extra, UOL e Lance divulgaram a declaração do treinador e, assim como a redação do Portal Comunique-se, definiram: foi um ato machista.

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A jornalista Kelly Costa, da RBS TV, foi alvo de ato machista do treinador do Internacional (Imagem: arquivo pessoal/Instagram)

Pedido de desculpas depois da declaração machista

Depois da repercussão negativa, Guto Ferreira procurou o SporTV, emissora que exibiu a partida do Internacional, e pediu desculpas à jornalista Kelly Costa. Ele assumiu ter tido postura “muito infeliz”. “Tomo a liberdade de pedir desculpas”, disse o técnico ao participar da edição desta quarta-feira, 19, do programa ‘Redação SporTV’. “Acabei me atrapalhando e não quero mudar a opinião de ninguém, respeito a opinião de todo mundo, até porque sei que errei”, prosseguiu. “O mais importante é você saber que errou para que a gente possa, futuramente, mudar ou não passar por situações como essa”, complementou o treinador.

Episódio com técnico do Inter não o é único ato machista no futebol

A resposta de Guto Ferreira para Kelly Costa fez outra jornalista esportiva do Grupo RBS falar publicamente o que as profissionais da imprensa que cobrem futebol têm de encarar diariamente. Produtora e repórter da Rádio Gaúcha, Renata de Medeiros usou o perfil que mantém no Twitter para abordar o machismo. Segundo ela, que começou a participar de jornadas esportivas em 2015, é comum ouvir ofensas de torcedores. “Imagina que assustador, Guto, uns 20 caras CANTANDO pra ti: ‘Ah, eu vou gozar, vem aqui que eu vou te passar o peru’, repetidamente, enquanto tu TRABALHA?”, publicou a repórter da Rádio Gaúcha, que ainda pontuou: o machismo para mulheres que cobrem esportes se dá, também, na redação e nas ruas.

Na tarde desta quarta-feira, 19, a repórter Kelly Costa se posicionou por meio das redes sociais. Ao dar o caso com o técnico do Inter como encerrado, ela garante que antes mesmo de aparecer em público, Guto Ferreira fez questão de lhe pedir desculpas pessoalmente.

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Confira o relato completo da jornalista Renata de Medeiros:

 

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Anderson Scardoelli

Jornalista, 32 anos. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupa atualmente.

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