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Ferramenta virtual disponibiliza milhares de documentos de interesse público

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(Imagem: Volodymyr Hryshchenko/Unsplash)

Pinpoint é o nome da plataforma mantida pelo Google em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

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Pesquisar e analisar PDFs, imagens com texto, documentos escritos à mão e até áudios em português de um jeito fácil e rápido é a promessa do Pinpoint, ferramenta lançada pelo Google em agosto. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é a curadora do projeto no Brasil, disponibilizando duas grandes coleções de documentos de interesse público na plataforma. O acesso à plataforma desenvolvida para jornalistas é gratuito.

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As duas primeiras coleções oriundas dessa parceria tecnológica trazem documentos da CPI da Pandemia e do inquérito 4.828, que investiga manifestações antidemocráticas. Além de facilitar o acesso a essas informações, a ideia é também permitir que os jornalistas possam usar todas as funcionalidades da ferramenta.

O Pinpoint utiliza o mesmo motor de inteligência artificial da busca do Google para identificar automaticamente nomes de pessoas, locais e até empresas mencionadas nos documentos e nos áudios. Com isso, profissionais de imprensa podem ganhar tempo e eficiência.

Coleção sobre a CPI da Pandemia

Coleção sobre inquéritos dos atos antidemocráticos

 A coleção da CPI da Covid exemplifica como o Pinpoint pode facilitar uma cobertura. A comissão do Senado tornou público milhares de arquivos relacionados à investigação da pandemia. E, talvez, a principal dificuldade dos jornalistas seja encontrar informações relevantes em meio a dezenas de milhares de páginas.

Para conhecer todos os documentos que trazem informações sobre o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, por exemplo, basta digitar o nome dele na caixa de buscas do Pinpoint. Ou seja, em fração de segundos a ferramenta do Google retira uma agulha do palheiro.

Na tela do Pinpoint, também é possível filtrar os documentos em um menu, ao lado direito, por nomes de pessoas, empresas e instituições, além de localizações geográficas (cidades, UFs, nomes de rodovias, CEPs etc.). E ainda dá para combinar esses filtros. Depois, ao clicar no documento, o programa abre o arquivo com a informação filtrada em destaque.

Nos documentos da CPI, há ainda vídeos que os senadores receberam. O Pinpoint ainda não é compatível com esse tipo de arquivo, mas a Abraji enviou somente os áudios (MP3) desses materiais. Com isso, a ferramenta transcreve automaticamente as gravações. E o melhor: você pode pesquisar por palavra-chave.

Até 18 de agosto, a comissão já havia recebido 2.187 conjuntos de documentos – sendo que muitos deles têm mais do que apenas um arquivo dentro dos links. É importante frisar que nem todos estarão na coleção da Abraji. Primeiro, porque ainda não subimos todos os arquivos disponíveis. Segundo, porque vários documentos são sigilosos – por envolverem a quebra de sigilo telefônico e bancário de investigados, por exemplo. Por fim, porque nem todos os arquivos são legíveis pelo Pinpoint.

A coleção com documentos sobre a CPI da Pandemia conta, no total, com mais de 2.900 arquivos únicos no Pinpoint da Abraji.

Pinpoint: tecnologia usada para reconhecimento

A ferramenta do Google utiliza uma tecnologia chamada OCR (um acrônimo em inglês para Reconhecimento Ótico de Caracteres), que permite a pesquisa por palavra-chave nos seguintes tipos de arquivo:

  1. PDF
  2. E-mails (.EML) e arquivos de e-mails (.MBOX)
  3. Imagens (.JPEG, .PNG, .GIF, .BMP, .TIFF)
  4. Texto (.TXT, .RTF)
  5. Texto estruturado (.CSV, .XML, .TSV)
  6. Word (.DOC, .DOCX)
  7. Excel (.XLS, .XLSX)
  8. PowerPoint (.PPT, .PPTX)
  9. Páginas da web (.HTML)
  10. Áudio (.MP3, .MP4, .M4A, .WAV, .FLAC, .WMA, .AAC, .RA, .RAM, .AIF, .AIFF)

Alguns desses arquivos, como os de imagem e áudio, são convertidos automaticamente em PDF. Embora o Pinpoint possibilite a pesquisa em planilhas (CSV, XLS etc.), não é possível visualizar o conteúdo desses arquivos dentro da ferramenta. Por isso, é preciso abri-los fora da plataforma.

A CPI foi instalada em 27 de abril, com prazo de três meses de funcionamento. No entanto, foi prorrogada por mais 90 dias. Com isso, os trabalhos devem seguir até o começo de novembro. Dessa maneira, esta coleção da Abraji estará em constante atualização. Até junho, a comissão já havia recebido cerca de 1,5 terabytes de arquivos, o que mostra a dificuldade de analisar todas essas informações rapidamente.

Como agilizar suas buscas no Pinpoint

Assim como o Google, o Pinpoint também possibilita o uso de operadores de busca avançada. Por exemplo, você pode usar aspas para pesquisar um termo exato: “tratamento precoce”. Caso esteja buscando por documentos que contenham simultaneamente mais de um termo, use o operador AND (cloroquina AND azitromicina, por exemplo). Para pesquisas em documentos que contenham uma ou outra palavra-chave, o caminho é utilizar OR. Por exemplo: Mandetta OR Pazuello. Detalhe importante: utilize AND e OR em letras maiúsculas. E use o símbolo de menos para excluir palavras de uma pesquisa: Covaxin -Precisa. Esta pesquisa serve para encontrar todos os documentos que façam menção à vacina indiana, sem constar a empresa que estava intermediando a venda do imunizante, por exemplo.

A outra coleção que a Abraji disponibilizou agora é a do inquérito 4.828, que apurava manifestações que defendiam o fechamento do Congresso e do STF. Os alvos da investigação eram parlamentares e ativistas bolsonaristas. O inquérito foi aberto no ano passado, a partir de ​​pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O caso estava em segredo de justiça, mas o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo dos documentos em junho passado, depois que a PGR pediu o arquivamento da investigação. Recentemente, um outro inquérito foi aberto, e Moraes decretou a prisão preventiva do ex-deputado Roberto Jefferson. Aqui é possível ver as movimentações do processo.

O Google ainda conta com parceiros para curadoria do Pinpoint em outros países. The Washington Post, Big Local News e DocumentCloud também são curadores do projeto. E várias redações ao redor do mundo já usam a ferramenta. Inclusive, o norte-americano The Boston Globe recentemente foi premiado com um Pulitzer em reportagem que se valeu do Pinpoint durante a investigação.

Mensalmente a equipe da Abraji vai divulgar duas novas coleções de arquivos de interesse público no Pinpoint da Abraji. Acompanhe nosso site e redes sociais para mais informações. A Abraji esclarece que não há nenhuma avaliação de mérito nas informações contidas nas coleções que disponibiliza. As  informações são de assuntos de interesse público e jornalístico e são apenas o ponto de partida de uma investigação jornalística. Indícios de condutas ilícitas devem ser verificados com fontes e mais dados e o fato de qualquer pessoa ser investigada não significa que ela é culpada.

Todos os dados devem ser checados, inclusive com os políticos e empresas citados. Sempre deve-se ter cuidado com pessoas e empresas homônimas. A Abraji não se responsabiliza pelos defeitos ou vícios que possam existir nas fontes de dados públicas usadas para criar as coleções no Pinpoint. Dúvidas e sugestões sobre o projeto escreva para pinpoint.abraji@abraji.org.br.

________________

Por Eduardo Goulart de Andrade. Conteúdo publicado originalmente no site oficial da Abraji.

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Abraji

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Criada em 2002 por um grupo de jornalistas brasileiros interessados em trocar experiências, informações e dicas sobre reportagem, principalmente sobre reportagens investigativas. É mantida pelos próprios jornalistas e não tem fins lucrativos.

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