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“Também sou EconomistA” busca fortalecer presença feminina na mídia

Projeto Também Sou Economista
(Imagem: Reprodução)

Projeto já conta com banco de dados com mais de 70 nomes a serem consultados por profissionais da imprensa

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Ampliar e fortalecer a presença de mulheres economistas em veículos de comunicação. Seja como articulistas, entrevistadas, colaboradoras ou debatedoras. Esse é o propósito da iniciativa “Também Sou EconomistA”. Idealizada pela economista Ana Luiza Pessanha, o projeto foi lançado em 2020 e tem adquirido força e aderência no decorrer dos meses deste ano.

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O estalo para o desenvolvimento de alguma ação para que a imprensa passasse a dar vez a mulheres economistas ocorreu nos primeiros instantes da chegada da pandemia da Covid-19 ao Brasil. Diante da crise sanitária — e consequentemente econômica/financeira —, debates, lives e pautas diversas começaram a ser desenvolvidas. Porém, Ana Luiza Pessanha observou a ausência de vozes femininas como especialistas do assunto.

“Estávamos em 2020, mas parecíamos estar no século passado”, lamenta a líder do movimento “Também Sou EconomistA”. Antes de se dedicar à iniciativa, ela já marcava presença em grupo de WhatsApp, onde interagia com mais 218 mulheres economistas. A partir das trocas de mensagens por meio do aplicativo, resolveu que era necessário levar adiante os pensamentos da turma.

Para tirar o projeto do papel, Ana Luiza resolveu criar um documento público, a ser consultado por jornalistas. Com status de banco de dados composto somente por mulheres economistas, uma planilha no Google Drive conta, até o momento, com informações sobre 73 profissionais. Há destaque cor/raça, nível de escolaridade e breve apresentação de cada especialista. Dessa forma, é possível para um produtor de TV, por exemplo, uma economista preta com doutorado em curso para uma entrevista — sendo possível ativar contato por e-mail, LinkedIn ou Twitter.

“Fica o convite a todos e todas profissionais de imprensa que gostariam de contribuir para dar voz à mulheres e suas expertises”, avisa Ana Luiza Pessanha. À frente do movimento, ela não se incluiu na lista, mas pode ser contatada a partir de seu perfil no Twitter. Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela atualmente cursa mestrado em política econômica pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, além de ser conselheira do Iniciativa RioMais e trabalhar na Rede A Ponte.

Também Sou EconomistA no Twitter

Para começar a amplificar vozes de economistas mulheres na imprensa, o “Também Sou EconomistA” tem vez no Twitter desde dezembro do ano passado. Por ora, em termos de redes sociais, o trabalho de divulgação tem focado na plataforma de microblogs. De acordo com os responsáveis pela iniciativa, trata-se de ambiente amplamente utilizado por acadêmicos e jornalistas. Desde então, o perfil tem sido frequentemente utilizado para compartilhar o formulário para a inscrição na base de especialistas, além de divulgar lives e reportagens que contassem com essas mulheres como fontes.

O perfil da iniciativa no Twitter surgiu com o objetivo de interromper o que a equipe classifica como “ciclo em que só economistas homens são chamados para participar de entrevistas e debates” sobre economia.

Inscrição e manifesto

Mulheres economistas de todo o país ainda podem integrar o projeto idealizado por Ana Luiza Pessanha. Isso porque formulário online está disponível para quem deseja participar do banco de dados a ser consultado por jornalistas. No momento da inscrição, é possível, inclusive, a linha de temas que se sente confortável para ser buscada como fonte para a imprensa. Orçamento público, pobreza e política comercial estão entre os mais de 20 itens listados.

A descrição do formulário do “Também Sou Economista” pode ser encarado como manifesto por parte da equipe de organização do projeto. Confira, abaixo, o texto de apresentação:

Você também fica incomodada quando vê matérias de jornal sobre tópicos de economia só com homens? E quando a matéria é especificamente sobre diversidade ou desigualdade e todos os entrevistados são homens brancos?

Pois é. Nós compartilhamos esse sentimento. Mas muitas vezes isso acontece por uma questão de inércia. Como os homens brancos estão historicamente no holofote da academia, muitos jornalistas acabam não conhecendo mulheres especialistas nos temas de interesse deles e aí entramos em uma bola de neve.

O movimento Também sou EconomistA surgiu dessa indignação! Queremos criar uma grande base com dados de economistAs (e sociólogas, de ciência política e demais áreas do conhecimento que flertam com economia) que gostariam de dar entrevistas e participar de debates proporcionados por diversos jornais brasileiros. A ideia é divulgarmos isso pros jornais e jornalistas que conhecemos. Além disso, o nosso perfil no Twitter vai ser direcionado especificamente para compartilhar as entrevistas que essas mulheres concederem.

Dessa forma esperamos que mais  jornalistas conheçam essas mulheres e que a gente consiga inverter a bola de neve na direção de MAIS DIVERSIDADE na produção e divulgação de conhecimento.

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Anderson Scardoelli

Jornalista, 32 anos. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupa atualmente.

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