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Em carta a times de futebol, Globo elogia projeto da Lei do Mandante

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(Imagem: Divulgação)

Emissora fala em “parceria histórica” com os principais clubes do país. Ação ocorreu um dia após a Jovem Pan transmitir no YouTube um jogo do Brasileirão

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No último domingo, 22, a Jovem Pan transmitiu (com imagens) em seu canal de esportes no YouTube o jogo Athletico X Corinthians, válido pelo Campeonato Brasileiro de futebol. A ação por parte da JP  ocorreu devido à liminar judicial que dá ao time paranaense de fazer uso da chamada Lei do Mandante, que coloca o clube da casa como detentor dos direitos de transmissão do evento esportivo. Um dia após o jogo, o Grupo Globo veio a público falar em “parceria histórica” com os times brasileiros e, além disso, elogiou a proposta que corre no Congresso Nacional que pode implementar de vez a Lei do Mandante do país.

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O material, que não é assinado por nenhum executivo do conglomerado de mídia, foi, segundo o GE.com, encaminhado a todos os 40 times de futebol que disputam as séries A e B do Brasileirão deste ano. O conteúdo foi “chancelado” pelas quatro divisões do Grupo Globo envolvidas na aquisição de direitos de transmissão de eventos esportivos: TV Globo (televisão aberta), SporTV (televisão por assinatura), Premier FC (pay-per-view) e GE.com (internet).

Sem mencionar o jogo entre Athletico e Corinthians, o Grupo Globo elogiou a Lei do Mandante e sinalizou apoiar a questão que ainda depende de aval do Senado Federal. “Queremos aproveitar para reforçar e registrar aqui nosso entendimento de que a alteração na legislação trazida pelo projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, que dá ao time mandante os direitos de arena, caso seja esse o desejo de vocês clubes, poderia ser mais um passo nessa evolução”, diz trecho da carta pública enviada às equipes da elite do futebol brasileiro.

Globo elogia a Lei do Mandante, mas…

Na sequência do material, a Globo, observa, contudo, que o apoio de sua parte à eventual implementação da Lei do Mandante do país se dá desde que “respeitados os contratos já celebrados, em prol da segurança jurídica de todo o sistema”. Nos bastidores, a empresa de comunicação tem o entendimento de que os atuais contratos relativos ao Brasileirão não dariam ao Athletico o direito de transmitir de forma independente os jogos que realiza como mandante, por exemplo. Na última semana, o site Notícias da TV registrou que a emissora apoiaria o Corinthians (que tem contrato de exclusividade com o grupo) em caso de ação judicial contra o Athletico.

Em sintonia com a modernidade, mas somente a partir de 2019

Ao decorrer da carta, o Grupo Globo defende a ideia de que é parceiro há tempos dos times de futebol do Brasil. Para tal argumento, fala-se em milhões investidos no decorrer das últimas décadas e coloca o próprio grupo como responsável pela modernização na fórmula de divisão das receitas entre os clubes. Porém, a própria empresa admite que tal ação foi implementada apenas há dois anos. “Mais recentemente, a partir de 2019, construímos juntos um novo modelo mais justo e equilibrado de divisão de receita dos direitos transmissão, seguindo as experiências de sucesso das ligas europeias de futebol”.

Íntegra da carta do Grupo Globo sobre a Lei do Mandante

Confira, abaixo, a íntegra da carta enviada pelo Grupo Globo aos 20 times que disputam a série A do Campeonato Brasileiro de futebol e também para os outros 20 clubes que estão atualmente na série B, a segunda divisão. O material foi originalmente publicado na internet pelo GE.com, portal esportivo mantido pelo conglomerado midiático controlado pela família Marinho.

Aos 40 clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro de Futebol 2021

Nos últimos meses muito tem se falado da relação da Globo com o futebol. Alguns tentam nos colocar como opositores de vocês, clubes. Em quase cinco décadas de parceria e investimentos, temos certeza que nossos caminhos foram convergentes e tiveram objetivo comum: um futebol forte e equilibrado para o torcedor. Como em toda parceria, existiram divergências que foram resolvidas com diálogo e negociação, sem perder de foco o objetivo de fortalecer a maior paixão nacional.

Não podemos deixar de lembrar dessa história, que foi dedicada à valorização do esporte que é a paixão de todos nós. Desde a década de 70, a Globo transmite as competições dos clubes do futebol brasileiro. Na década de 90 ajudamos na organização do calendário e na padronização do sistema de disputas das competições nacionais. Em 1997 criamos com vocês o PPV do futebol nacional, do qual somos sócios. Em 2003 foi criada a fórmula de disputa atual do Campeonato Brasileiro, com o sistema de pontos corridos e, mais recentemente, a partir de 2019, construímos juntos um novo modelo mais justo e equilibrado de divisão de receita dos direitos transmissão, seguindo as experiências de sucesso das ligas europeias de futebol. Esses são alguns poucos exemplos importantes da nossa trajetória conjunta.

Acreditamos muito no futebol brasileiro e, por isso, nunca medimos esforços para desenvolvê-lo como um negócio lucrativo para todas as partes. Destinamos bilhões de reais aos direitos de transmissão todos os anos. Fora o alto investimento na promoção das competições, na contratação dos melhores profissionais para as transmissões e cobertura dos jogos e na implantação de tecnologia de ponta para entregar ao torcedor transmissão de alta qualidade nas diversas plataformas. Nenhuma outra empresa investe tanto, e com tanta consistência, no futebol nacional. Nossa esperança se amplia nesse novo momento em que o futebol aponta para uma maior união entre os clubes, algo que acreditamos ser fundamental para o melhor desenvolvimento do Campeonato Brasileiro.

Queremos aproveitar para reforçar e registrar aqui nosso entendimento de que a alteração na legislação trazida pelo projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, que dá ao time mandante os direitos de arena, caso seja esse o desejo de vocês clubes, poderia ser mais um passo nessa evolução. Um avanço no caminho de dar mais autonomia e flexibilidade, desde que respeitados os contratos já celebrados, em prol da segurança jurídica de todo o sistema. Inclusive apoiamos a negociação coletiva dos clubes por seus direitos de transmissão, como ocorre nas principais ligas do mundo (mesmo em países que adotam na legislação o sistema dos direitos do mandante) para assegurar que os clubes consigam maximizar seus ganhos, sem causar desequilíbrio no mercado.

Independentemente do modelo de negociação, a Globo manterá sua parceria histórica com os clubes, suas Federações e com o futebol brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento de todo o mercado e para o engrandecimento do espetáculo. Quem ganha são os torcedores de cada um de vocês, apaixonados por futebol, assim como nós.

Saudações esportivas.

TV Globo, SporTV, Premiere e ge

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Anderson Scardoelli

Jornalista, 32 anos. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupa atualmente.

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