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No Nordeste, grupo demite 20 jornalistas

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Imagem do repórter fotográfico Cid Barbosa ilustra a primeira página do Diário do Nordeste desta sexta, 21. Ele foi um dos demitidos no passaralho desta semana (Imagem: divulgação/Facebook)

Sistema Verdes Mares promoveu demissão em massa nesta semana. Entre outros veículos de mídia, o grupo controla o Diário do Nordeste e a afiliada da Rede Globo no Ceará. Sindicato dos jornalistas no estado (Sindjorce) reclama da postura adotada pela empresa de comunicação

Depois dos casos envolvendo Esporte Interativo e Grupo Abril, o Brasil enfrenta mais uma onda de passaralho na imprensa. Aos menos 20 jornalistas foram demitidos do Sistema Verdes Mares. Sediada em Fortaleza, a empresa é responsável por manter o site e o jornal Diário do Nordeste, a Rádio Verde Mares e a TV Diário. Na mídia televisiva, também mantém a afiliada local da Rede Globo, a TV Verdes Mares. A demissão em massa, que atingiu setores de todos os veículos do grupo, aconteceu na quinta-feira, 20.

As demissões – em que ao menos 20 comunicadores perderam seus empregos – provocaram a indignação por parte do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Ceará (Sindjorce). A entidade criticou publicamente a estratégia adotada pelo conglomerado. Uma das reclamações por parte da instituição foram os “eufemismos” supostamente usados na hora de conversar com os dispensados. “Reestruturação, readequação, convergência” e “integração” foram, segundo o Sindjorce, alguns dos termos utilizados pelos responsáveis pelo Sistema Verdes Mares.

“Os cortes nas redações causaram profunda indignação e comoção em toda a categoria dos jornalistas no Ceará por enviar o claro recado de que trabalhadores são materiais descartáveis na engrenagem do negócio da comunicação. Ao mesmo tempo em que abdicaram de fazer jornalismo, os donos da mídia continuam ávidos por mais lucros. Numa conta que não fecha, quem paga é o trabalhador e a trabalhadora. O critério para as demissões, ao que se evidencia pelo perfil da maioria dos desligados, foi dispensar os mais antigos da empresa e com maiores salários”, diz parte da nota de repúdio divulgada pelo Sindjorce.

Editores demitidos

O sindicato local e a apuração do Portal Comunique-se dão conta de que a equipe dedicada ao impresso do Diário do Nordeste foi a mais atingida com o passaralho. No jornal, a lista de demitidos conta com cinco editores. Giovanna Sampaio, Maristela Crispim, Regina Carvalho, Eduardo Queiroz e Edison Silva foram os profissionais dedicados à edição que foram dispensados. O repórter fotográfico Kleber Gonçalves e o repórter de ‘Nacional’ e ‘Internacional’ Adriano Queiroz também foram dispensados, assim como Carlos Eugênio. Fora da redação em si do impresso, foram demitidos o diagramador Wilton Bezerra e o comentarista esportivo Mário Kempes.

Veterano no Sistema Verdes Mares, o repórter fotográfico Cid Barbosa também compõe a lista de alvos do passaralho. Ele, que atuava no grupo há 35 anos, viu uma de suas imagens ilustrar a primeira página da edição desta sexta-feira, 21, do Diário do Nordeste. A foto é acompanhada da manchete sobre o aumento no número de mulheres assassinadas no Ceará.

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Cid Barbosa usou a rede social para avisar: está fora da equipe do Diário do Nordeste (Imagem: reprodução/Facebook)

Demissões irregulares?

Em seu posicionamento, a direção do Sindjorce avisa que sua equipe jurídica analisará “possíveis irregularidades cometidas pelo grupo empresarial durante as demissões”. A entidade acusa, ainda, a empresa de tentar impedir que os jornalistas demitidos “fossem se despedir dos colegas nas redações”. Sobre a demissão em massa, a instituição sindical define 20 de setembro como “dia triste para o jornalismo e para os jornalistas cearenses” e pede, por fim, a união dos comunicadores que seguirão empregados na “luta contra a precarização da nossa profissão. Até o momento, a equipe de comunicação do Sistema Verdes Mares não comentou o passaralho, apesar do contato por parte da reportagem do Portal Comunique-se.

SOBRE O AUTOR

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Anderson Scardoelli

Orelhudo, observador e contador de histórias. Não necessariamente nessa ordem. De sua querida Estância Turística de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para o mundo. Graduado em jornalismo pela Uninove e com especialização em jornalismo digital pela ESPM, mas gosta mesmo de dizer que foi formado pelo Comunique-se. Trabalha na empresa há mais de 10 anos, indo de estagiário de pesquisa a editor sênior. No meio do caminho, foi estagiário de redação, trainee, subeditor, editor júnior e editor pleno. Gosta de escrever e de falar sobre (adivinhem?) jornalismo!

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