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A polarização da mídia norte-americana continua viva

A polarização da mídia norte-americana continua viva - New York Post
Imagem: Reprodução/ iStock

Repórter do New York Post é demitido por matéria falsa contra Kamala Harris

De Londres, Luciana Gurgel, Editora MediaTalks

Não é a primeira vez que um repórter se vê desmascarado por ter publicado uma matéria falsa intencionalmente. Mas o caso de Laura Italiano, do jornal americano New York Post, vai além da falha individual, revelando a polarização que ainda persiste em alguns setores da mídia americana, alinhados ao ex-presidente Donald Trump.

O New York Post é um tabloide sensacionalista que sempre apoiou Trump abertamente. Na campanha eleitoral, chegou a ser suspenso pelo Twitter por promover, na plataforma, uma reportagem sobre o filho do então candidato Joe Biden. O material expôs dados retirados de um antigo computador dele, que havia sido abandonado em uma oficina.

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O Twitter considerou que a extração das informações eram trabalho de um hacker, o que infringe as regras da plataforma.

No dia 24 de abril, o jornal publicou uma matéria denunciando que livros escritos pela Vice-Presidente, Kamala Harris, estariam sendo distribuídos com dedicatória em abrigos para crianças imigrantes. Um escândalo. Só que não era verdade. E coube a um jornal adversário de Trump, o Washington Post, apontar a farsa. Não eram vários livros, era apenas um, e tinha sido doado ao abrigo.

Laura Italiano demitiu-se do New York Post três dias depois, e disse ter sido obrigada a escrever a matéria. Mas foi muito criticada por só ter se desligado após a história ter sido revelada pelo Washington Post.

Mais apoio ao ex-presidente

O New York Post não é o único que continua defendendo Trump e procurando motivos para atacar o governo de Joe Biden. A Fox News, celebrizada pela sua postura de extrema-direita, continua pregando as teses de Donald Trump.

A emissora pegou uma carona na história de Kamala Harris, veiculando matérias sobre a notícia do New York Post. Mas anda às voltas com um processo de US$ 4,3 bilhões movido por empresas de software que se consideraram prejudicadas por sugestão de terem participado de fraude eleitoral.

Imagem: Reprodução/ BBC

O ex-presidente não ama a imprensa. E ficou de mal com as redes sociais depois de ter sido excluído por causa da invasão do Capitólio. Durante cinco anos e meio – do lançamento da candidatura até ser banido do Twitter, em janeiro – tuitou uma vez por dia em média contra jornalistas e veículos, segundo levantamento de uma organização de monitoramento americana.

Trump continua fora das redes, e já anunciou que vai lançar sua própria plataforma de mídia social, sem moderação de conteúdo. Enquanto isso não acontece, Fox e New York Post continuam firmes ao seu lado, com uma linha editorial feita sob medida para agradar os saudosistas do ex-presidente. E com isso ajudando a manter a sociedade americana polarizada.

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