OPINIÃO

Vertical ou horizontal – por Heródoto Barbeiro

artigo de heródoto barbeiro - coronavírus mídia e presidente
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Reagir a situações de emergência nunca foi o forte do presidente. Mesmo quando cobrado pelos jornalistas na porta do palácio”, escreve o ‘Mestre do Jornalismo’ em artigo

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O presidente não quer ouvir falar em paralisar o país. Por isso, estabelece uma estratégia de combate ao coronavírus totalmente ortodoxa. Olha com desconfiança as recomendações e os números divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e amplamente espalhados pela oposição e pela mídia. É uma campanha meramente política, uma vez que é ano de eleições, diz ele.

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Já se cogitou até mesmo em adiar o pleito, coisa que não aconteceu nem mesmo durante a guerra. Uns qualificam sua atitude em relação à pandemia de ignorância, outros de arrogância. O fato é que os institutos de pesquisa de opinião pública registram queda de sua popularidade, que vinha se mantendo firme com os números otimistas da economia. Ninguém podia imaginar que a bolsa fosse cair com a velocidade e o impacto financeiro muito parecidos com a crise que se abateu o mundo em 2009.

Reagir a situações de emergência nunca foi o forte do presidente. Mesmo quando cobrado pelos jornalistas na porta do palácio. Responde confusamente às perguntas, não dá direito à tréplica e nunca se sabe se aquilo é uma entrevista ou apenas um momento para gerar mais polêmica. O fato é que, como as respostas são enviesadas e incompletas, cada um dá a versão que julga mais conveniente. Com isso, aumenta o conflito entre o chefe do Executivo e parte da mídia.

“Responde confusamente às perguntas, não dá direito à tréplica e nunca se sabe se aquilo é uma entrevista ou apenas um momento para gerar mais polêmica”. Analisa Heródoto Barbeiro

Defende arduamente a volta às atividades econômicas, com o temor que o país possa entrar em uma recessão, que, sabe-se lá, quando pode terminar. Combate o isolamento horizontal como o imposto por governadores, especialmente no estado de maior população do país e na maior cidade. Essa se parece com uma cidade fantasma dos filmes de terror. Quer o isolamento vertical. Ou seja, com uma parte dos funcionários de uma empresa trabalhando para não parar a produção. Mais uma queda de braço.

Há evidentemente uma disputa entre o presidente e a maioria dos governadores de estado. Tomaram iniciativas particulares e se juntaram para criticar as medidas do governo federal. Há também uma clara disputa político-eleitoral entre eles. A liderança da Câmara está nas mãos do inimigo, que não perde oportunidade para atacar pessoalmente o presidente. Nem mesmo o presidente do Congresso se mostra muito amigo, ainda que tenha liberado o possível do orçamento para combater a pandemia do coronavírus.

“Como as respostas são enviesadas e incompletas, cada um dá a versão que julga mais conveniente”. Observa Heródoto Barbeiro

No meio do cipoal de informações falsas e verdadeiras sobre a doença, as redes sociais não dão sossego. Não há como ficar fora do tsunami de coisas que chegam e trazem as mais diversas opiniões. Mas é ano eleitoral. O que parecia apontar para a eleição do candidato republicano Donald Trump mudou com a consolidação do democrata Joe Biden. O coronavírus pode se tornar no grande eleitor da eleição americana deste ano, uma vez que o pleno emprego e o crescimento econômicos foram derrotados com a chegada mansa e silenciosa do Cisne Negro.

SOBRE O AUTOR

Heródoto Barbeiro

Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal da Record News’. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

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